LOGIN

ASSINE

ASSINE

Sair

Sair

Assine

Login

Descubra

Assine

Clube Correio

  • Login
  • Alterar Senha
  • Esqueci minha senha
  • Acessar cartão Clube Correio

Redes Sociais

Rua Aristedes Novis, 123, Federação
CEP: 40210-630 - Salvador, Bahia, Brasil

Assinaturas: 71 3480-9140
Anuncie: 71 3203-1353
Ache Aqui Classificados: 71 3480-9130
Redação: 71 3203-1048

redacao@correio24horas.com.br

ACESSE SUA CONTA

Ainda não é assinante? Assine aqui.

Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade

RECUPERAR SENHA

Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre

Crônica

Um novo livro, as mesmas obsessões

Gabriel García Márquez certa vez afirmou que um autor escreve sempre o mesmo livro

Por Paulo Sales

Publicado em 28 jun 2026 às 05:03

Não leu nada este ano? Confira 68 livros que chegam às livrarias em junho
Livros Crédito: Pexels
Gabriel García Márquez certa vez afirmou que um autor escreve sempre o mesmo livro, não importa quantos títulos publique. Cada nova publicação seria um capítulo a mais de uma obra única e indivisível. Um inventário de obsessões que se sucedem indefinidamente, por mais que variem os enredos, épocas e personagens. Partindo desse pressuposto, é possível que o autor colombiano tenha passado suas últimas três ou quatro décadas reescrevendo Cem Anos de Solidão e o batizando com nomes como O Amor nos Tempos do Cólera ou Memória de Minhas Putas Tristes.
Admiro esses homens e mulheres que, como Gabo, dedicam boa parte dos seus dias a transformar palavras em pétalas de alumbramento, ainda que se repitam inconscientemente. Michel Houellebecq é quase um monotemático, Annie Ernaux também. Emmanuel Carrère recorre aos mais diferentes assuntos e personagens para abordar um único tema: ele mesmo. Chegou ao ponto de dar a um de seus livros (talvez o melhor deles) o curioso título Outras Vidas que Não a Minha, para se diferenciar dos demais.
Não sei por que motivo citei três franceses, mas foram os que vieram logo à mente. Entre os mais antigos, poderia assegurar que Borges deu à luz um enorme e único calhamaço que contém em suas páginas o infinito. Um livro de areia sem fim nem começo que nos locupleta de fascínio. Já Kafka engendrou diferentes facetas de um só pesadelo: sombrio, opressivo, incompreensível. E Faulkner fez do sul profundo estadunidense sua divina tragédia humana, território hostil de contornos bíblicos onde nos embrenhamos e nos perdemos.
Abandono o Olimpo onde esses demiurgos reinam absolutos e me transporto ao mundo ordinário, minúsculo e insignificante da minha Liliput particular. Este mês, completo sete anos escrevendo para o Correio. Desde junho de 2019, foram centenas de crônicas publicadas neste espaço. Em sua maioria, textos triviais, despropositados, que encerram um curto estoque de obsessões. Afinal, sou um monotemático como Houellebecq (as semelhanças param por aí). É como se retirasse sempre os mesmos fardos dos ombros e os colocasse na tela, para na crônica seguinte repetir esse processo.
Às vezes me pergunto de que adianta regressar aos mesmos argumentos, temores e desilusões numa lamúria sem fim. Como compreender ou abarcar o mundo se quanto mais escrevo, menos racional ele se desvela? Devo cansar meus poucos leitores com argumentos e indagações que apenas expõem a ferida, mas não oferecem tratamento para a sua cicatrização. Ainda assim, prossigo. Acima de tudo porque as crônicas também me permitem dividir impressões com pessoas interessantes, algumas das quais não conheço. Gente que comenta, compartilha, elogia, discorda, aponta caminhos ou apenas lê em silêncio.
Nos últimos sete anos, o Brasil e o mundo padeceram de uma pandemia e da perda progressiva da razão, entremeadas por breves lapsos de esperança. De minha parte, fiquei com mais cabelos brancos e mais indagações sem respostas. Afinal, amadurecer é também se desfazer de certezas. Dos 49 aos 56 anos, algumas convicções se evaporaram, outras se sedimentaram e a vida prosseguiu. O que penso dela está registrado aqui a cada quinzena. E, a partir de agora, também em um novo livro.
Uma Breve Fenda de Luz (Editora Litteralux) reúne minhas crônicas preferidas escritas nos últimos quatro anos. É o meu terceiro título publicado – ou seria o novo capítulo de uma mesma obra? Nele se amontoam devaneios e confissões de um homem que tateia no escuro em busca de uma lanterna, um lastro no qual apoiar seus questionamentos e suas dúvidas mais avassaladoras. O lançamento vai acontecer no próximo dia 8 de julho, a partir das 19h30, no Espaço Cultural Oito Imagem (Rua Dinah Silveira de Queirós, nº 6, Condomínio Quinta do Candeal – Horto Florestal). Apareçam.

Leia Mais

Briga entre torcidas organizadas gerou caos em Jardim Cajazeiras

Briga entre torcidas organizadas provoca caos em Salvador e acaba com nove presos

As quatro vítimas

'Corações estraçalhados': padre lamenta morte de quatro jovens eletrocutados em acampamento católico

Goethe-Institut Salvador

Cafeteria no Goethe-Institut é interditada após denúncia de discriminação durante festival

Tags:
paulo sales

Tags:

Acompanhe o CORREIO nas redes sociais

Ao apoiar o jornalismo local, você fortalece a informação de qualidade e o trabalho de uma equipe premiada.


Assine agora e tenha acesso aos conteúdos exclusivos, com credibilidade e compromisso com a Bahia.
Obrigado por fazer parte da nossa comunidade.

Mais recentes

Briga entre torcidas organizadas gerou caos em Jardim Cajazeiras

Briga entre torcidas organizadas provoca caos em Salvador e acaba com nove presos

As quatro vítimas

'Corações estraçalhados': padre lamenta morte de quatro jovens eletrocutados em acampamento católico

Goethe-Institut Salvador

Cafeteria no Goethe-Institut é interditada após denúncia de discriminação durante festival

transição energética

Bahia é o novo hub de energia limpa do Brasil? Veja por que o estado lidera o setor

Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.

INSCREVA-SE

© 1996 - 2025 Correio da Bahia. Todos os direitos reservados