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TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

Bahia é o novo hub de energia limpa do Brasil? Veja por que o estado lidera o setor

Estado concentra 34% da potência eólica do país, avança na energia solar e atrai investimentos que impulsionam indústria e empregos

Por Gabriela Araújo

Publicado em 30 jul 2026 às 07:38

transição energética
A transição energética abre novos caminhos para o desenvolvimento sustentável e a competitividade da Bahia Crédito: Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial
Os ventos fortes que cruzam o semiárido vêm colocando a Bahia no centro da transição energética brasileira. Destaque nacional em geração eólica e com crescimento acelerado da energia solar, o estado reúne condições naturais, investimentos e capacidade de expansão que reforçam seu protagonismo na produção de energia limpa e ampliam sua competitividade industrial.
Esse cenário acompanha um movimento nacional. O Brasil ocupa a quinta posição mundial em potencial de energia eólica instalada, com cerca de 33,7 GW onshore no início de 2025, e vem batendo recordes de geração desde 2024, quando atingiu média de 23.699 MW produzidos. Os estados líderes estão concentrados no Nordeste, especialmente Bahia e Rio Grande do Norte.
A energia eólica se consolidou como um dos pilares da matriz elétrica brasileira, que é quase 50% proveniente de fontes renováveis. Atualmente, responde por cerca de 15% de toda a capacidade instalada do país.
Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), referentes a 2026, a Bahia concentra 34,05% de toda a potência eólica instalada no Brasil, distribuída em 533 parques. Mais do que ampliar a oferta de energia limpa, os parques eólicos têm impulsionado o desenvolvimento regional.
Um estudo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) mostra que municípios com empreendimentos eólicos registraram crescimento médio 21% superior no Produto Interno Bruto (PIB) real e aumento de 20% no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em relação a cidades vizinhas sem esses projetos.
O avanço do setor também se reflete no mercado de trabalho. Segundo a ABEEólica, a energia eólica gera cerca de 11 empregos para cada megawatt instalado. No caso da energia solar fotovoltaica, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) estima uma média de 30 postos de trabalho por megawatt ao ano.
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), a Bahia possui, atualmente, 101 usinas solares em operação, com potência outorgada de 2,97 GW, além de ter produzido 397 GWh somente em janeiro deste ano. Na geração distribuída, a capacidade instalada já alcança aproximadamente 2,5 GW e está presente em todos os 417 municípios baianos.
O crescimento é favorecido pelos elevados índices de irradiação solar, superiores a 6 kWh/m² por dia, e pela estabilidade climática ao longo do ano. Em 2025, a geração solar centralizada cresceu aproximadamente 16%, enquanto a distribuída avançou 23%.
Para Rafael Valverde, especialista em integração energética, esse avanço cria uma oportunidade para fortalecer todo o sistema energético brasileiro. "A expansão das renováveis no Nordeste cria a oportunidade de integrar melhor o sistema energético brasileiro, levando energia limpa para os grandes centros de consumo, viabilizando novos usos industriais de baixo carbono e posicionando a região como eixo central da transição energética nacional", afirmou.
Ainda segundo ele, a integração energética também pode se tornar um diferencial para a indústria brasileira. "A integração energética transforma a matriz renovável brasileira em vantagem competitiva, reduzindo custos, aumentando eficiência e posicionando a indústria nacional para competir em uma economia global cada vez mais descarbonizada."
Esse ambiente também abre portas para pequenos negócios. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a maior parte das micro e pequenas empresas do setor atua hoje na instalação de sistemas fotovoltaicos para geração distribuída.
No entanto, o mercado vem ampliando seu escopo de atuação com soluções como assinatura e compartilhamento de energia, armazenamento em baterias, mobilidade elétrica, gestão inteligente do consumo, eficiência energética e consultorias especializadas.
Na indústria, a energia limpa também começa a se consolidar como um fator de competitividade. A Unipar, empresa do setor de produção de cloro, soda e PVC, investe em modernização tecnológica, autoprodução de energia renovável e contratos de longo prazo para reduzir a exposição à volatilidade do mercado de energia, aumentar a previsibilidade dos custos e tornar suas operações mais eficientes.
Na unidade de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, a empresa opera com tecnologia de membrana de última geração e utiliza exclusivamente energia elétrica proveniente de fontes renováveis, estratégia que também contribui para oferecer produtos com menor intensidade de carbono.
Para a companhia, a combinação entre uma matriz elétrica predominantemente renovável e o potencial de expansão das fontes solar, eólica e biomassa coloca o Brasil em posição privilegiada para desenvolver uma indústria mais eficiente e sustentável.

Eventos impulsionam agenda da transição energética

Além dos investimentos, a consolidação da Bahia como referência em energia limpa também tem sido acompanhada por espaços de discussão voltados ao futuro do setor. Um deles é o International Meeting on Brazil's Energy Market (iBEM), que reúne especialistas do setor, empresas, academia e investidores para debater políticas públicas, inovação, integração energética e novos negócios.
O encontro funciona como uma ponte entre conhecimento técnico, mercado e poder público, permitindo alinhar prioridades e transformar a agenda da integração energética em projetos concretos. A próxima edição do iBEM já está confirmada para os dias 24 a 26 de fevereiro de 2027, no Centro de Convenções de Salvador.
O Projeto Transição Energética é uma realização do Jornal Correio, com patrocínio da Unipar e apoio institucional do SEBRAE.

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