Amigos, daqui a dois dias, as ruas do Centro Antigo de Salvador estarão novamente tomadas para celebrar a Independência do Brasil na Bahia. Haverá gente fantasiada e gente sem fantasia. Pessoas com trompetes, tambores, bandeiras e milhares de baianos que fazem do 2 de Julho uma das maiores manifestações cívicas do país. Neste ano, como acontece a cada dois anos, a expectativa é de que as ruas estejam ainda mais cheias por ser um ano eleitoral, com a presença dos pré-candidatos ao governo da Bahia e até à Presidência da República.
A presença cada vez maior de militantes políticos e apoiadores tem incomodado muita gente, que avalia que a festa tem perdido parte do seu caráter de celebração da luta dos baianos contra os portugueses para se transformar em um grande ato de pré-campanha eleitoral. Não se pode negar que o desfile, que recentemente completou seu bicentenário, também se consolidou como um importante termômetro político e eleitoral.
Jornalistas acompanham atentamente cada detalhe: quem foi aplaudido, quem foi vaiado, quem atraiu mais apoiadores, quem conseguiu mobilizar o público. Mas essa leitura também se tornou mais difícil. Com a organização de caravanas e grupos de militância, muitas manifestações acabam sendo planejadas, tornando menos espontânea a percepção da popularidade de cada liderança.
Isso leva a uma reflexão interessante: a presença da militância política prejudica a festa?
Muita gente responderia que sim. Por outro lado, fico me perguntando: se não fossem esses apoiadores, será que o 2 de Julho ainda reuniria tanta gente nas ruas? Se não fosse a presença dos políticos, a festa teria mantido a mesma força ao longo dos anos ou teria perdido relevância?
A presença dos políticos tem sido relevante nas festas populares da Bahia, seja porque leva milhares de apoiadores às ruas, seja porque atrai a imprensa e amplia a cobertura da celebração. Quantas festas populares não perderam força justamente por falta de público e de visibilidade?
Pelo bem ou pelo mal, prefiro que a chama da festa da Independência do Brasil na Bahia continue acesa. O desafio é fazer com que a política participe da festa, sem que a festa deixe de ser, acima de tudo, uma celebração da nossa história.
As contas de 2025 do governador Jerônimo Rodrigues (PT) já têm data para serem julgadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Segundo informou à coluna o presidente da Corte, Gildásio Penedo, a expectativa é que a apreciação ocorra no dia 30 de julho. A relatoria ficará a cargo da conselheira Carolina Matos, considerada nos bastidores uma magistrada de perfil mais técnico do que político.