Junho no Nordeste é sinônimo de pé de serra, mesa farta e aquela tradicional viagem para o interior. É a época em que o forró toma conta dos dias e o calor da fogueira reúne a família inteira na porta de casa. Só que, hoje em dia, essa festa tão nossa também ganhou um novo espaço para acontecer: as telas dos celulares. Seja nos passinhos de quadrilha que viram febre no TikTok, nas dicas de maquiagem ou nos vídeos de receitas típicas no Instagram, a internet acabou levando uma nova versão do São João para o mundo.
Depois de encantar o país com seu jeito autêntico no BBB 24, a assistente social e influenciadora alagoana Giovanna Pitel conversou com o Correio sobre como a tecnologia ajuda a manter acessível a nossa cultura, servindo como um abraço quentinho de acolhimento para os mais jovens.
Mesmo lidando diariamente com milhares de seguidores e trabalhando com a internet, Pitel não esconde que seu coração bate no ritmo de Maceió, sua terra natal. Ao falar sobre o que o São João desperta dentro dela, a memória vai direto para os tempos de criança.
"Ah, com certeza, é ver a fogueira grande, alta, espalhafatosa na porta de casa", conta. "Esperar ela virar brasinha, para assim você espetar um milho num palito e ficar torrando o milho na brasa da fogueira e depois comer junto com a sua família. Acho que é a minha maior lembrança junina".
Se por um lado a internet funciona como uma vitrine para o orgulho nordestino, por outro, Pitel lembra que é preciso ter cuidado para não esquecer quem começou tudo isso. Para ela, o grande desafio é fazer com que a tecnologia respeite o tempo e o saber das pessoas mais velhas, que são a verdadeira base da nossa cultura.
"Esses dias teve até uma discussão na internet sobre isso, e o mundo digital vai se atualizando. O São João tem que ocupar esse espaço também, aprender essa nova forma de se comunicar", explica. Mas a assistente social faz um alerta importante: "É um desafio enorme, porque o nosso chão é feito por pessoas mais velhas. E, ao contrário do que muita gente pensa, a internet ainda não chega do mesmo jeito para todo mundo".
Para que a nossa história não se perca no meio do caminho, Pitel acredita que os criadores de conteúdo mais jovens precisam assumir a missão de passar essa herança adiante. Ela cita pessoas que já fazem isso muito bem na web. "Quanto mais gente jovem, tem uma pessoa que eu sou muito fã, que é a Laura Brito, que faz um conteúdo incrível toda época de São João, quanto mais criadores nordestinos falarem sobre isso, mais a gente faz a nossa cultura durar. E a melhor ferramenta para fazer isso hoje são as redes sociais. O digital também importa", finaliza.