Terremoto no Japão provoca desabamento de shopping, deixa desaparecidos e derruba parte de castelo histórico
Tremor de magnitude 6,8 atingiu a ilha de Kyushu, deixou mortos, feridos e dezenas de desaparecidos; alerta de tsunami foi suspenso horas depois
Por Mariana Rios
Publicado em 28 jul 2026 às 15:26
Castelo de Kumamoto: construído entre 1601 e 1607 e um dos mais emblemáticos do JapãoCrédito: Shutterstock
O sul do Japão foi atingido por um terremoto de magnitude 6,8 na tarde desta terça-feira (28), no horário local, provocando o desabamento parcial de um shopping center, danos em um dos castelos mais famosos do país e deixando mortos, feridos e desaparecidos. As informações foram divulgadas por veículos japoneses como NHK, TBS, Fuji TV e Kyodo News.
Imagens aéreas mostram os estragos no Aeon Mall, em Kashima, na província de Kumamoto, onde parte das paredes do edifício desabou, expondo a estrutura metálica. Segundo o Corpo de Bombeiros de Kumamoto, uma explosão provocou o colapso do segundo andar do centro comercial, deixando diversas pessoas presas nos escombros. Pelo menos dois feridos foram resgatados.
Terremoto no Japão
As emissoras TBS e Fuji TV informaram que há mortos e feridos, mas o número oficial de vítimas ainda não foi confirmado. Já a emissora pública NHK informou que entre 20 e 30 trabalhadores estão desaparecidos no shopping. As equipes de resgate seguem mobilizadas no local.
O Aeon Mall já havia sido fechado temporariamente em 2016, após a série de terremotos que devastou Kumamoto. Na época, dois tremores de magnitudes 6,5 e 7,3, registrados em um intervalo de dois dias, deixaram 273 mortos e mais de 2,8 mil feridos.
Outro vídeo registrou o desabamento de parte da muralha do Castelo de Kumamoto, fortaleza construída entre 1601 e 1607 pelo general Kato Kiyomasa e considerada um dos três castelos mais emblemáticos do Japão.
As imagens mostram grandes blocos de pedra se desprendendo da estrutura, formando uma nuvem de poeira. O castelo é conhecido por sua importância histórica, especialmente durante a Rebelião de Satsuma, em 1877, quando cerca de 3,5 mil soldados resistiram ao cerco de aproximadamente 13 mil combatentes.
Mortes, feridos e pessoas presas
Segundo a agência Kyodo News, uma pessoa morreu após o desabamento de uma residência, embora o local do acidente não tenha sido informado.
A NHK também informou que pelo menos 50 pessoas foram levadas a hospitais na cidade de Hikawa, enquanto ao menos 12 imóveis desabaram. Além disso, havia vítimas presas em quatro edifícios.
Na cidade de Yatsushiro, equipes de emergência foram acionadas após a queda da chaminé de uma fábrica da Nippon Paper. A Agência de Gestão de Incêndios e Desastres do Japão (FDMA) informou que bombeiros trabalham para resgatar nove pessoas no local. A NHK ainda relata que pode haver desaparecidos na unidade industrial.
Mais de 60 réplicas após o tremor
O terremoto ocorreu às 16h27 no horário local (4h27 em Brasília), na ilha de Kyushu. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou inicialmente magnitude 7,1, mas revisou posteriormente o registro para 6,8.
De acordo com a Agência Meteorológica do Japão (JMA), mais de 60 réplicas, com magnitudes entre 1 e 4, foram registradas nas horas seguintes ao sismo.
Governo mobiliza militares
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, informou na rede social X que criou uma força-tarefa para avaliar os danos e coordenar as ações de emergência.
Ela afirmou que cerca de 3,6 mil militares foram enviados à província de Kumamoto para apoiar os trabalhos de busca e resgate.
"Já foram confirmados danos extensos. Expresso minhas mais sinceras condolências a todos os afetados por este desastre", declarou.
O secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, informou que as Forças Armadas japonesas participam das operações de resgate.
Após o terremoto, a Agência Meteorológica do Japão chegou a emitir um alerta de tsunami para os mares de Ariake e Yatsushiro, mas o aviso foi cancelado cerca de duas horas depois.