O aumento das execuções hipotecárias nos Estados Unidos está trazendo de volta um velho problema da crise imobiliária: a ação de golpistas que se apresentam como especialistas em "salvar" casas de proprietários endividados. O alerta foi reforçado por autoridades americanas diante da alta de 21% nos processos de retomada de imóveis registrados no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo reportagem da ABC News, criminosos monitoram processos judiciais, que são públicos, para identificar famílias em dificuldade financeira. Em seguida, entram em contato oferecendo ajuda para renegociar financiamentos, reduzir parcelas ou impedir que o imóvel seja retomado pelo banco. Em muitos casos, porém, cobram taxas elevadas, fazem falsas promessas ou até convencem os proprietários a transferir a escritura da casa, deixando-os em situação ainda pior.
Uma das histórias contadas pela emissora é a de Fabiana Polizzi, moradora de Staten Island, em Nova York. Na tentativa de conseguir uma modificação no financiamento imobiliário, ela contratou uma empresa que prometia reduzir as prestações. A renegociação nunca aconteceu e, posteriormente, ela recebeu uma ordem de despejo.
Outro caso envolve Vanessa Lewry, canadense cujo pai, já com demência, foi convencido a transferir a propriedade de sua casa para uma empresa que alegava poder ajudá-lo durante o processo de execução hipotecária. A família precisou recorrer à Justiça e estima ter perdido entre US$ 100 mil e US$ 150 mil entre o imóvel e os custos judiciais.
"O esquema começa quando os golpistas descobrem que alguém está em dificuldades financeiras", disse Shane Ham, advogado-chefe da Unidade de Abuso de Idosos e Litígios Complexos da Procuradoria-Geral do Arizona, à ABC News. Segundo ele, o grupo criminoso conseguia chegar à casa do proprietário em até 20 minutos após o registro da execução hipotecária no cartório.
"A prática de 'desvalorização imobiliária' ocorre quando golpistas tentam convencer o proprietário a vender sua casa por um valor muito abaixo do valor justo de mercado", disse Ham. "Eles fazem isso convencendo os proprietários de que estão lá para ajudá-los, quando na verdade estão lá para tomar posse da casa."
Especialistas afirmam que o cenário atual lembra o período após a crise financeira de 2008, quando golpes semelhantes se multiplicaram. Durante a pandemia de covid-19, programas emergenciais ajudaram muitos proprietários a evitar a perda dos imóveis. Com o fim dessas medidas e o aumento do custo de vida, os processos de execução voltaram a crescer, criando um ambiente propício para fraudes.
Defensores dos direitos dos idosos e autoridades policiais dos EUA orientam que proprietários em dificuldade procurem diretamente o banco responsável pelo financiamento ou órgãos oficiais de orientação ao consumidor antes de aceitar qualquer oferta de empresas que prometam resolver a situação rapidamente.