Crianças, adolescentes, idosos, trabalhadores e agentes de segurança. A violência armada em Salvador e na Região Metropolitana não fez distinção entre perfis de vítimas no primeiro semestre deste ano. Levantamento divulgado pelo Instituto Fogo Cruzado (IFC) mostra que, embora adultos entre 18 e 59 anos representem a maioria dos baleados, os disparos também atingiram grupos mais vulneráveis e profissionais que dependem das ruas para trabalhar.
Ao todo, 637 pessoas foram baleadas entre janeiro e junho. Destas, 588 eram adultos, mas também foram atingidos seis crianças de até 11 anos, 37 adolescentes entre 12 e 17 anos e cinco idosos com 60 anos ou mais.
Mortes em ações policiais
Os profissionais da segurança pública também estão entre as vítimas da violência. No semestre, 34 agentes foram baleados em Salvador e na Região Metropolitana. Dez morreram e 24 ficaram feridos. A maior parte dos casos ocorreu durante o serviço: 24 policiais foram atingidos em atividade, enquanto seis estavam de folga e quatro já eram aposentados ou haviam deixado a carreira. Os policiais militares concentraram 88% das vítimas entre os agentes de segurança, com 30 registros.
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A violência também atingiu profissionais que dependem das ruas para trabalhar. Entre as vítimas estão 11 mototaxistas, entregadores e motoboys, além de seis motoristas por aplicativo e um vendedor ambulante.
Entre os principais motivos dos disparos de arma de fogo registrados na Região Metropolitana, as ações e operações policiais lideram com 366 ocorrências. Em seguida aparecem homicídios e tentativas de homicídio (209 casos), disputas entre grupos armados (42), roubos e tentativas de roubo (42), sequestros e cárcere privado (18) e brigas (15).
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Para o advogado e especialista em Ciências Criminais André Franklin de Queiroz, os dados evidenciam a necessidade de rever a forma como a segurança pública é conduzida. "O Estado precisa se fazer presente de forma efetiva e contínua nas comunidades mais vulneráveis, não apenas em operações pontuais, mas com serviços públicos permanentes. Segurança pública se constrói com prevenção, inteligência e presença do Estado no dia a dia do cidadão, não apenas com o confronto como resposta", afirma.
O levantamento também registrou queda no número de vítimas de balas perdidas. Foram seis pessoas atingidas nessa circunstância no primeiro semestre deste ano, contra 19 no mesmo período de 2025. Apesar da redução, o estudo indica que a circulação de armas e a intensidade dos confrontos continuam expondo moradores a situações de risco em diferentes pontos de Salvador e da Região Metropolitana.