O presidente da Fifa, Gianni Infantino, trabalha em um projeto que pode mudar a estrutura comercial da Copa do Mundo. A proposta prevê a abertura de participação para investidores privados em uma nova empresa que concentraria os direitos comerciais e a organização dos principais torneios da entidade.
Segundo o jornal britânico The Times, o plano poderá resultar na criação de uma companhia responsável pela gestão da Copa do Mundo masculina, da Copa do Mundo Feminina e do Mundial de Clubes. A publicação também afirma que pessoas próximas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participaram de conversas sobre a iniciativa. A Fifa não comentou essa informação.
Na terça-feira (28), a entidade confirmou que pretende ampliar os investimentos no desenvolvimento do futebol para mais de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 54 bilhões), desde que a medida seja aprovada pelas associações nacionais filiadas.
Para isso, anunciou a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que continuará pertencendo à Fifa e reunirá suas operações comerciais e de eventos. A expectativa é captar até US$ 4,2 bilhões (R$ 22,7 bilhões) ainda neste ano com a venda de participações minoritárias, sem transferência do controle da companhia, com base em uma avaliação inicial de US$ 20 bilhões (R$ 108 bilhões).
Se o projeto avançar, a gestão comercial dos principais torneios da Fifa poderá passar a ser conduzida por essa nova empresa, embora ela permaneça vinculada à entidade.
Infantino, de 56 anos, disputará a reeleição para a presidência da Fifa no próximo ano. Caso seja reconduzido ao cargo, permanecerá até 2031, quando deverá deixar a função em razão do limite de mandatos previsto no estatuto. O The Times afirma que ele poderá assumir o comando da nova empresa após encerrar seu ciclo na presidência da entidade.
A possibilidade de abertura para investidores privados provocou reação imediata da Uefa. Em nota, a entidade europeia afirmou que a iniciativa representa um limite que as organizações do futebol não deveriam ultrapassar. "Isso cruza uma linha que as instituições que governam o futebol jamais deveriam cruzar", declarou.
A Uefa também criticou a falta de transparência sobre quem poderá se beneficiar financeiramente da operação.
"A alma e a governança do futebol não são ativos para serem negociados, especialmente sem qualquer transparência sobre quem terá ganhos financeiros."
Por fim, a entidade reforçou sua posição de que a Copa do Mundo não pode ser tratada como um ativo comercial da Fifa. "Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa colocá-lo à venda."