A disputa política entre Fifa e Uefa ganhou um novo desdobramento após a entidade máxima do futebol mundial estabelecer um prazo para que suas associações filiadas decidam sobre um projeto que pode mudar o modelo comercial da Copa do Mundo.
Em carta enviada às 211 associações nacionais, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, determinou um período de 53 dias para que as federações analisem e votem a proposta que prevê a venda de participações comerciais do principal torneio da entidade.
O documento também informa que as associações que rejeitarem o plano poderão perder até 75% do financiamento previsto no novo sistema de distribuição de recursos.
A proposta está vinculada ao programa Fifa Forward Enterprise, criado para ampliar os investimentos destinados às federações nacionais. Caso seja aprovada, a expectativa é de que os novos recursos comecem a ser liberados a partir de 1º de janeiro de 2027.
Por outro lado, a Fifa sinalizou que as entidades que votarem contra a iniciativa poderão ficar fora desse modelo de financiamento. A resposta da Uefa foi imediata e em tom de forte crítica.
"A Uefa sabe que há uma oposição significativa e crescente ao esquema da Fifa. A Fifa não pode continuar usando o nosso esporte para enriquecer a si mesma e aos seus amigos. Podemos fazer o futebol crescer da maneira correta. É hora de priorizar associações, clubes, ligas, jogadores e torcedores", declarou a entidade em comunicado oficial.
Além da manifestação pública, a Uefa afirmou que o prazo estabelecido por Infantino e a possibilidade de retirar recursos das associações que rejeitarem a proposta "dizem tudo o que é preciso saber" sobre o modelo apresentado pela Fifa.
O projeto ainda será submetido à votação das associações filiadas e enfrenta resistência em diferentes segmentos do futebol internacional. Entre as principais críticas estão os questionamentos sobre a abertura da Copa do Mundo para investimentos privados e os possíveis impactos na governança da competição.
Nos próximos dias, a expectativa é de que o confronto entre as duas entidades se intensifique. Enquanto a Fifa busca apoio das federações ao prometer um aumento no financiamento, a Uefa considera a proposta uma ameaça à administração do futebol e avalia medidas jurídicas para tentar impedir o avanço da iniciativa. A decisão final dependerá do apoio da maioria das 211 associações nacionais filiadas à Fifa.