Ancelotti confirma renovação na Seleção e cita fim de ciclo de Neymar, Casemiro e Danilo
Técnico projeta mudanças para o próximo ciclo da Seleção Brasileira, faz autocrítica pela eliminação na Copa do Mundo e aponta a busca por novos meio-campistas
Por Pedro Carreiro
Publicado em 29 jul 2026 às 21:00
Carlo Ancelotti aprovou a atuação da Seleção contra a EscóciaCrédito: Reprodução/FIFA
De volta ao Brasil após um período de descanso ao lado da família, Carlo Ancelotti iniciou o planejamento da Seleção Brasileira para o próximo ciclo. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (29), o treinador italiano avaliou a campanha da equipe na Copa do Mundo de 2026, admitiu erros na eliminação para a Noruega e confirmou que a equipe passará por uma renovação nos próximos anos.
Segundo Ancelotti, o Mundial marcou o encerramento do ciclo de alguns dos principais nomes da geração que defendeu a Amarelinha na última década. Entre eles estão Neymar, Casemiro e Danilo. O camisa 10, inclusive, anunciou nesta semana que não pretende mais atuar pela Seleção Brasileira.
"Acho que com essa Copa do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses jogadores que na Copa do Mundo tinham mais de 30 anos. Vamos mapear os novos jogadores que possam entrar, não digo na próxima Copa do Mundo de 2030, mas que possam já ser competitivos no primeiro objetivo, que é a Copa América de 2028. Temos que ter uma conexão muito forte com a seleção sub-20, que tem que preparar as Olimpíadas", afirmou em entrevista ao ge.
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Apesar da reformulação prevista, o treinador deixou claro que a ideia não é promover mudanças radicais no elenco. Para ele, alguns atletas experientes seguirão como referências para facilitar a transição entre gerações.
"Não vou dizer que vou mudar todos os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem seguir com a linha de trabalho, como o Marquinhos, para citar um nome. Acho que é importante que ele permaneça para dar um sinal de continuidade ao trabalho. Mas a ideia é renovar e dar espaço para uma nova geração", explicou.
Ancelotti faz autocrítica após eliminação
O treinador também comentou o período após a derrota por 2x1 para a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo. Segundo ele, os dias seguintes ao resultado foram dedicados à reflexão sobre o desempenho da equipe e ao planejamento do futuro.
"Depois de uma derrota, acho que é importante tirar um tempo para pensar, recuperar e analisar com atenção o que aconteceu. Também é preciso olhar para o futuro. Por isso, depois da derrota, preferi ir para onde está minha família para descansar, refletir e compartilhar ideias com a comissão técnica e com a CBF, para tentar melhorar o que aconteceu e projetar um novo grupo para o futuro", disse.
"Não foi um período fácil, por causa da tristeza e da decepção da derrota. É uma derrota diferente, porque acontece em uma Copa do Mundo. Você não tem tempo, como em um clube, para reagir e se recuperar. A derrota permanece por mais tempo. Foi isso que aconteceu nesses dias. Mas agora voltamos ao trabalho, às avaliações e a pensar na formação de um novo grupo, com jogadores jovens. Acho que será um trabalho interessante", completou.
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Ao analisar o confronto com a Noruega, o italiano apontou uma mudança tática durante o segundo tempo como determinante para a perda de controle da partida.
"Acho que, até a parada para hidratação do segundo tempo, a equipe estava bem posicionada em campo. Tivemos a oportunidade de marcar no pênalti e também com o Endrick. A autocrítica que faço é que mudei a estrutura do time depois da parada para hidratação, e aí perdemos o controle do jogo", avaliou.
Meio-campo entra no radar para o próximo ciclo
Entre as prioridades para os próximos anos, Ancelotti destacou a necessidade de encontrar jogadores com maior capacidade de criação para fortalecer o meio-campo da Seleção.
"Se surgirem jogadores novos, um meio-campista de muita qualidade, obviamente você pode praticar um jogo de maior posse de bola. Temos que observar a evolução dos novos meio-campistas. Acho que estamos muito bem servidos no ataque para o futuro e também na defesa. Precisamos encontrar meio-campistas de alto nível", afirmou.
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O treinador também ressaltou que a formação desses atletas depende de um trabalho conjunto entre a CBF e os clubes brasileiros.
"Na formação do talento, é preciso haver uma conexão com os clubes. São os clubes que formam os jogadores. A seleção pode ajudar, obviamente, mas essa parceria é fundamental. No futuro, queremos estreitar a relação com os clubes para desenvolver os talentos. Precisamos focar mais na formação de meio-campistas", concluiu.
A Seleção Brasileira voltará a campo na Data Fifa de setembro, quando enfrentará a Austrália em dois amistosos, marcados para os dias 25 e 29, nas cidades de Townsville e Brisbane.