Em sua terceira passagem pelo país, grupo sul-coreano amplia a turnê, incorpora o funk brasileiro ao repertório e diz que a relação com os fãs tornou seus sonhos maiores
Por Márcia Luz
Publicado em 25 jul 2026 às 04:00
O NTX está de volta para sua terceira turnê pelo paísCrédito: Divulgação
O Brasil deixou de ser apenas um destino no calendário do NTX. Em sua terceira passagem pelo país, o grupo sul-coreano confirma que construiu por aqui uma relação que ultrapassa os encontros entre artistas e fãs. O vínculo já aparece no repertório, nas performances e na própria maneira como os oito integrantes enxergam o futuro da carreira.
Formado por Hyeongjin, Yunhyeok, Xiha, Changhun, Hojun, Eunho, Seungwon e Rawhyun, o NTX desembarcou novamente na América Latina para sua turnê mais extensa na região. São 15 cidades no roteiro, 13 delas brasileiras, além de Buenos Aires, na Argentina, e Santiago, no Chile. Algumas, como Belém, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre e Blumenau, recebem o octeto pela primeira vez.
Annyeong - NTX
É uma expansão significativa até mesmo para um grupo que já havia estabelecido, em 2024, uma marca importante: naquele ano, o NTX se tornou o primeiro nome do K-pop a realizar uma turnê por dez cidades brasileiras. Agora, chega a todas as regiões do país, passando também por capitais que nem sempre aparecem nos itinerários internacionais.
“Penso que é uma oportunidade de conhecer mais NTFULs brasileiros e também um momento honroso em que nós, NTX, podemos nos apresentar em novas cidades”, resume Hojun em entrevista ao Correio. NTFUL é o nome dado ao fandom do grupo.
Depois de passar por cidades como Belém, Goiânia, Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife e João Pessoa, a turnê segue para Belo Horizonte, Manaus, Porto Alegre, São Paulo e Blumenau. Na estrada, os integrantes têm observado uma característica familiar de quem acompanha shows no Brasil: o público não precisa dominar completamente uma música para participar da apresentação.
Changhun conta que ficou impressionado com a recepção até mesmo às faixas solo inéditas, apresentadas pela primeira vez nesta turnê. “Embora o idioma seja diferente e fossem músicas que ouviam pela primeira vez, fiquei profundamente emocionado ao vê-los curtindo o palco de coração”, diz. Para ele, a experiência permitiu sentir novamente “a paixão e a energia dos fãs brasileiros”.
Essa relação vem sendo construída também por meio de encontros com a cultura brasileira. Em 2024, durante o show em Niterói, o NTX dividiu o palco com integrantes da Unidos da Viradouro. No ano seguinte, em Recife, recebeu o cantor e compositor Marron Brasileiro e um grupo de frevo. As experiências não ficaram restritas à memória da turnê: começaram a interferir diretamente na música do octeto.
O exemplo mais recente é VAMOS, faixa criada especialmente para a passagem pela América Latina. A música reúne elementos do funk brasileiro e trechos em português, fazendo com que o Brasil deixe de ser apenas cenário e passe a integrar a sonoridade do NTX.
Rawhyun explica que a ideia nasceu depois do contato com o gênero nas duas turnês anteriores. “Começamos com a ideia de que, se o NTX também tivesse uma música desse gênero, seria realmente incrível no palco”, afirma. A inclusão de palavras em português foi uma forma de ampliar a proximidade com os fãs sul-americanos.
O grupo também apresenta nesta turnê as faixas de PROTO TYPE, seu terceiro miniálbum, lançado em novembro de 2025. O trabalho traz seis músicas, entre elas ICE LUV, e reforça uma das características do NTX: a participação dos integrantes na composição, na produção e na construção das performances.
Além de VAMOS, Seungwon antecipa que o repertório reserva um cover especial, preparado para que artistas e público possam curtir juntos. A intenção é transformar cada apresentação em uma experiência compartilhada, algo que o NTX parece ter aprendido muito bem em suas viagens pelo país.
Para Yunhyeok, o Brasil representa a realização de um sonho e, ao mesmo tempo, o impulso para sonhar ainda mais. “Dá a cada um dos membros o poder de ter sonhos maiores e de se entregar ao palco de forma mais genuína e apaixonada. É assim que posso explicar a nossa relação com os fãs brasileiros.”
Talvez esteja justamente aí a razão para o grupo voltar todos os anos desde 2024. Na história recente do K-pop no Brasil, o NTX entendeu que construir uma relação duradoura exige ir além das paradas habituais, conhecer novos públicos e permitir que cada lugar visitado também transforme sua música. Depois do samba, do frevo e agora do funk, essa troca já pode ser ouvida no palco.