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POLÊMICA

Cantor cria vaquinha para comprar casa de R$ 1 milhão, causa confusão na web e rebate críticas: 'Única alternativa'

Afroito pediu ajuda nas redes sociais e afirmou que campanha surgiu como forma de resolver aluguel atrasado

Por Giuliana Mancini

Publicado em 30 jul 2026 às 06:58

Afroito criou vaquinha de R$ 1 milhão para pagar dívida e comprar casa
Afroito criou vaquinha de R$ 1 milhão para pagar dívida e comprar casa Crédito: Reprodução/Instagram
O cantor Afroito virou assunto nas redes sociais após criar uma vaquinha virtual com meta de R$ 1 milhão para comprar a casa onde mora, no Recife, e quitar seis meses de aluguel atrasado. A iniciativa dividiu opiniões entre os internautas e levou o artista a se pronunciar sobre as críticas, afirmando que o financiamento coletivo era sua "única alternativa".
A campanha foi criada em 20 de julho e divulgada nas redes sociais três dias depois. Até o início da manhã desta quinta-feira (30), ele havia arrecadado R$ 9.045, menos de 1% da meta estipulada. Do total pretendido, cerca de R$ 800 mil seriam destinados à compra do imóvel. O restante seria usado para quitar a dívida de aproximadamente R$ 50 mil, além de taxas e multas.
Em entrevista ao g1, Afroito explicou que decidiu recorrer à campanha depois de receber uma cobrança pelos aluguéis em atraso. Segundo ele, só foi notificado oficialmente da dívida quando informou à proprietária que pretendia devolver o imóvel. "Nesses seis meses, eu não fui notificado sobre os atrasos dos aluguéis, mesmo encontrando a locatária presencialmente. [...] Quando eu recebi essa notificação com o valor dos seis meses, eu fiquei travado. Eu fiquei pensando numa solução", contou.
No vídeo em que anunciou a vaquinha, o cantor reconheceu que cometeu um erro ao assumir um compromisso financeiro que não conseguiu manter.
""Cometi um erro gravíssimo. Mesmo sem previsão de shows, aluguei uma casa que estava fechada durante dez anos e não consegui pagar o aluguel dela nos últimos seis meses. Eu moro aqui há um ano, no intuito de, em algum momento, torná-la o meu lar definitivo. Porém, com contas atrasadas, é praticamente impossível. Por isso que, na última segunda-feira, comecei uma vaquinha porque tenho a esperança de ter a ajuda de vocês para sair desse pesadelo de inadimplência e realizar o sonho de poder ter um lugar no mundo", declarou.
Cantor responde às críticas
A iniciativa dividiu opiniões nas redes sociais. Enquanto alguns internautas demonstraram apoio, outros questionaram o fato de a campanha buscar recursos para comprar uma casa de alto valor. "Desculpa, mas isso é o cúmulo do surto. Você quer uma casa de 1 milhão de reais no seu nome pago com o dinheiro de vaquinha?", escreveu um seguidor.
"Tem que ter mais responsabilidade, amigo. Como aluga uma casa desse tamanho sem estabilidade financeira?", comentou outro.
Ao responder às críticas, Afroito afirmou que o financiamento coletivo é uma ferramenta frequentemente utilizada por artistas e acredita que a repercussão negativa tenha sido influenciada pelo tom do vídeo publicado nas redes.
"Talvez o tom do vídeo tenha causado esse impacto. Mas eu não atribuo financiamento coletivo a uma coisa negativa, porque é uma ferramenta usada pela arte há muito tempo. Acho que todo mundo coloca apenas esse contexto de crowdfunding para necessidades extremas, de urgência. Onde a gente tem que sacar uma grana urgente para dar a alguém. Mas nesse contexto, é sobre você pensar e repensar se você quer realmente contribuir ou não", explicou ao g1.
O cantor também contou que avisou ao representante da proprietária que a vaquinha era sua única possibilidade de resolver a situação e que ainda mantém o interesse em comprar o imóvel.
"Na última vez em que eu falei com o assessor [da proprietária], avisei a ele que a minha única alternativa era a vaquinha. Falei para ele que eu ainda tinha interesse de comprar a casa. Falei que eu não tinha o valor da multa e que só ia ter um retorno daqui a 60 dias", afirmou.
Campanha oferece recompensas aos apoiadores
Segundo Afroito, a vaquinha também oferece contrapartidas para quem decidir contribuir, como um vinil de seu primeiro álbum, Menga, e ingressos para a inauguração da casa, batizada de ParanãLab, caso a compra do imóvel seja concretizada.
"É uma tentativa de resolver um grande tudo, assim. Mas não tornar isso um problema das pessoas. Porque eu vejo um valor proporcional e equivalente no meu trabalho, é o que eu estou pedindo. No contexto dos ingressos, do vinil, das parcerias. Eu acho que é uma troca que pode ser equivalente para a pessoa que está investindo. Não sei como todo mundo visualiza isso. Mas, em algum momento, aquela cifra ficou entendida como: 'ele está pedindo esse todo dinheiro a mim'", disse.
Por que ele alugou a casa?
Afroito explicou que escolheu o imóvel por oferecer espaço para ensaios, gravações e outras atividades ligadas à sua carreira. Antes disso, segundo ele, morava em kitnets e residências menores, que não comportavam sua rotina profissional.
"Antes eu morei em kitnets, em casas menores. Tentei fazer músicas nessas casas, mas eu não conseguia lidar bem. Nem com espaço, porque é muito apertado. Às vezes, eu toco com oito, dez pessoas. E os locatários também não curtiam muito. [...] Eu tive um raciocínio que foi: se eu faço um investimento em gravações e em estúdio para ensaio, eu posso totalizar isso, as minhas necessidades, e alugar um lugar como esse", explicou.
Com a redução dos convites para shows, ele afirmou que deixou de conseguir pagar o aluguel mensal de R$ 5 mil. O cantor também contou que precisou recuperar a residência, que estava fechada havia cerca de dez anos.
"Antes de tudo, eu fiz um investimento gigantesco de tempo pra poder ocupar a casa, que tinha mofo, cupim, timbu e todas as outras coisas. Timbu não é um problema, mas é porque a casa, como estava fechada há 10 anos, virou um ponto de procriação do timbu", relatou.
Segundo o artista, também foi necessário dedetizar todo o imóvel antes de conseguir utilizá-lo normalmente.
"O gasto não vai dar R$ 2 mil, 1.500, mas o trabalho de conseguir uma pessoa... A casa tem muita madeira. Em cima de um cômodo que tem aqui atrás, tinha uma casa de cupim enorme que estava se alastrando pela casa inteira. Então eu tive que dedetizar a casa inteira. E mesmo com a casa toda envenenada, não tinha outro canto para dormir. Isso não está na balança. Não está no cálculo final o transtorno", concluiu.

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