Uma junção entre literatura negra infantojuvenil, ancestralidade e Matemática. Esse é o objetivo do livro “BoaMática: uma aventura pelos artefatos matemáticos africanos”, da professora Vanessa Balbina. A obra, que reposiciona o ensino da matemática a partir do conceito de aquilombamento, será lançado no Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros (COPENE), em Brasília, entre os dias 28 e 31 de julho, e em Salvador.
Ao CORREIO, Vanessa explicou que a publicação é fruto da parceria entre o letramento matemático e a alfabetização popular. Ela surge para contrapor-se à cultura escolar tradicional, tornando a matemática uma disciplina inclusiva, acolhedora, descomplicada e profundamente conectada com a realidade dos leitores.
“A essência da BoaMática reside em compreender como os estudantes aprendem dentro de seus próprios contextos sociais, devolvendo a eles o lugar de protagonistas na produção do conhecimento e desfazendo o mito eurocêntrico de que a Matemática é um saber impenetrável”, afirmou.
Outro ponto abordado no livro, que tem ilustrações de Edson de Souza, é o resgate da anterioridade do pensamento africano na história da ciência, integrando saberes ancestrais, afetividade, escuta, além de recursos lúdicos, como a literatura infantil, a robótica e as histórias em quadrinho.
“Mais do que ensinar a calcular, a BoaMática propõe educar pela Matemática, transformando a sala de aula em um espaço político de resistência, consciência crítica e emancipação. E, sobretudo, construir um imaginário de que a Matemática é boa, e não má”, destacou.
Os detalhes do lançamento na Bahia serão divulgados em breve. “Estou vendo cada detalhe e com tanta felicidade. Quero que seja lindo nesse estado que me acolheu”, acrescentou Vanessa.