O trabalho da estilista baiana Adriana Meira marcou presença no Brazil Creating Fashion for Tomorrow (BCFT), durante a semana do clima de Londres. O projeto, realizado entre os dias 24 e 28 de junho, no The Bomb Factory Art Foundation, uma das principais organizações independentes de arte contemporânea da cidade, reúne duas exposições com propostas distintas, mas, ao mesmo tempo, interligadas.
Em “Caatinga: Stitching Resilience (Caatinga: Costurando Resiliência)”, o público encontra uma mostra de moda responsável de vanguarda e práticas pioneiras com biomateriais, enquanto a “Caatinga, a Forest of Many Colours (Caatinga: Uma Floresta de Muitas) apresenta uma seleção de fotografias de Anna Mariani (1935–2022). As exibições exploram um dos ecossistemas que, apesar do grande impacto ambiental, é negligenciado.
Adriana, que é natural da cidade de Brumado, no sudoeste da Bahia, juntou-se a outros grandes nomes da moda, como Açude, Althair Santo, Antônio Rabelo, Catarina Mina, Elis Cardim, Espedito Seleiro, Flávia Aranha, Foz, Gustavo Silvestre Guto Carvalhoneto, Instituto Renato Imbroisi, Marina Bitú, Matrona, Matulão, Melk Z-Da, Patu, Ronaldo Fraga, Sertão Encantado, Weider Silveiro e Zumdoo.
Para o projeto, a brumadense trouxe referências do dia a dia na Fazenda-Ateliê, seu espaço criativo, para transformar um sobretudo marrom com aplicações que representam um umbuzeiro, bode, calango, sol rachando, galos, galinhas, bandeirolas juninas e o boi encantado. Na peça, foram utilizados apliques de retalhos e botões de resina reciclada em tons semelhantes aos de rochas.
“Quando eu cheguei pra estudar em Salvador, escutava sempre de forma pejorativa: 'Ela é do interior', como se isso não fosse uma coisa legal. Eu sempre tive muito orgulho de ser da caatinga e de honrar os saberes manuais através do meu trabalho. Contar a história do sertão, da familiaridade com essa terra que tanto amo, é uma bandeira que sempre irei levantar”, disse ao CORREIO.