Terceiro lote da restituição do Imposto de Renda será pago nessa sexta; veja o que fazer se o dinheiro não cair na conta
Receita Federal deposita R$ 4,61 bilhões para 2,7 milhões de contribuintes no dia 31 de julho
Por Perla Ribeiro
Publicado em 29 jul 2026 às 18:13
Estes erros na declaração Imposto de Renda já fizeram muita gente perder a restituição.Crédito: Foto: Adobe Stock
A Receita Federal paga na próxima sexta-feira (31) o terceiro lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026, referente ao ano-base 2025. Ao todo, 2.743.200 contribuintes receberão R$ 4,61 bilhões.
Mais do que o depósito em si, este lote marca o encerramento da fila de restituições consideradas aptas ao pagamento pela Receita Federal.
Isso significa que quem tem valores a receber e não for contemplado deve verificar imediatamente a situação da declaração para identificar se há alguma pendência.
Segundo Richard Domingos, diretor-executivo da Confirp Contabilidade, o cenário muda completamente após esse pagamento.
Tudo sobre a restituição do IRPF 2026
"Até os lotes anteriores era possível que a declaração apenas estivesse aguardando processamento. Agora a situação é diferente. Como a Receita informou que este lote encerra a fila das restituições aptas ao pagamento, quem ficou de fora deve consultar imediatamente o Extrato de Processamento da DIRPF para verificar se houve retenção em malha fiscal ou alguma inconsistência que esteja impedindo o crédito", explica.
Como consultar a situação da declaração
A consulta pode ser feita pelo portal e-CAC ou pela área Meu Imposto de Renda, disponível tanto no site quanto no aplicativo da Receita Federal.
No serviço Extrato de Processamento da DIRPF, o contribuinte consegue verificar se a declaração foi processada normalmente, se caiu na malha fiscal ou se existe alguma pendência que impede o pagamento da restituição.
Quando há retenção, o próprio sistema informa qual divergência foi identificada, permitindo ao contribuinte avaliar se é necessário apresentar uma declaração retificadora ou apenas aguardar eventual solicitação de documentos.
"O mais importante não é verificar apenas se a restituição caiu na conta. O fundamental é consultar a situação da declaração para entender por que o pagamento ainda não foi liberado e quais providências precisam ser tomadas", afirma Domingos.
Estar na malha fina não significa fraude
Segundo o especialista, muita gente associa a malha fina a tentativa de fraude, mas essa percepção nem sempre corresponde à realidade.
Na maioria dos casos, a retenção ocorre por divergências entre as informações prestadas pelo contribuinte e os dados enviados por empresas, bancos, planos de saúde, entidades de previdência e outras fontes.
Entre os motivos mais comuns estão:
divergências entre os rendimentos informados e aqueles declarados pelas fontes pagadoras;
omissão de rendimentos;
despesas médicas sem comprovação;
dependentes informados em mais de uma declaração;
inconsistências em dados de previdência privada, instituições financeiras e planos de saúde.
O que fazer se a declaração caiu na malha
Caso o extrato indique retenção, o primeiro passo é identificar qual foi a pendência apontada pela Receita.
Se houver erro ou omissão de informações, o contribuinte poderá enviar uma declaração retificadora, desde que ainda não tenha sido iniciado procedimento formal de fiscalização.
Na retificação, é necessário utilizar o mesmo modelo de tributação escolhido originalmente (simplificado ou completo), informar o número do recibo da declaração anterior e corrigir apenas as informações inconsistentes.
Segundo Richard Domingos, após o prazo de entrega não é permitido alterar o modelo de tributação escolhido inicialmente.
Se a correção resultar em imposto a pagar, também será necessário quitar o valor acrescido de juros e multa previstos na legislação.
Caso o contribuinte entenda que a declaração está correta, a recomendação é manter toda a documentação organizada para eventual apresentação à Receita Federal.
Problemas na conta também podem impedir o pagamento
Nem toda restituição pendente está relacionada à malha fiscal.
A Receita Federal informou que cerca de 165 mil restituições deixaram de ser creditadas porque os contribuintes informaram o CPF como chave Pix, mas não possuem uma conta bancária vinculada a essa chave.
Nesses casos, a orientação é cadastrar uma chave Pix CPF em uma instituição financeira, alterar os dados bancários pelo serviço Meu Imposto de Renda ou enviar uma declaração retificadora informando outra conta de titularidade do contribuinte.
Quanto antes resolver, melhor
Embora a legislação permita retificar a declaração, em regra, por até cinco anos — desde que não exista decisão definitiva da Receita sobre o lançamento —, especialistas recomendam não adiar a regularização.
"Quem ficou de fora deste lote não deve simplesmente esperar. Quanto antes identificar e solucionar a pendência, maiores serão as chances de receber a restituição nos lotes residuais da Receita Federal", afirma Richard Domingos.
Ele ressalta que nem toda retenção significa erro do contribuinte, mas acompanhar regularmente o Extrato de Processamento da DIRPF continua sendo a forma mais eficiente de identificar problemas rapidamente e evitar atrasos desnecessários no recebimento da restituição.