A Fundação Cacique Cobra Coral anunciou o fim da cooperação climática que mantinha com a Argentina após as declarações feitas pelo presidente Javier Milei durante sua passagem pelo Brasil. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (27), a entidade afirmou que as falas do argentino representaram um "ataque político" ao país e condicionou a retomada do trabalho a um pedido oficial de desculpas.
Segundo a fundação, a parceria com a Argentina teve início em 1982, durante a Guerra das Malvinas. Ao longo das décadas seguintes, a instituição diz ter realizado ações de assistência relacionadas ao clima, incluindo uma atuação em 1989, quando teria ajudado a estimular chuvas para reduzir os impactos de uma crise energética causada pela estiagem.
No comunicado, a entidade afirmou que a suspensão ocorre em um período de atenção devido à possível intensificação do El Niño, fenômeno associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico e que pode influenciar o regime de chuvas em áreas da América do Sul, incluindo Argentina e regiões do Brasil.
A fundação declarou que, sem a cooperação, a Argentina ficará "por sua conta e risco" durante o período de maior influência do fenômeno. "Ocorreu um ataque político ao nosso país e, enquanto não houver um pedido formal de desculpas, na área climática, a Argentina estará por sua conta e risco", afirmou a nota.
A decisão contra a Argentina ocorreu depois da visita de Milei ao Brasil para participar da convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25), quando Flávio Bolsonaro foi oficializado como candidato à Presidência. Durante o evento, o presidente argentino criticou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que há "perseguição política" no país e fez ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a quem chamou de "lixo careca".
Conhecida por divulgar trabalhos de prevenção de eventos climáticos com base em práticas espiritualistas, a Fundação Cacique Cobra Coral mantém acordos com órgãos públicos brasileiros e costuma aparecer em momentos de grandes eventos, principalmente no Rio de Janeiro.
A entidade também já havia anunciado, em 2025, uma suspensão parcial da chamada "assistência climática" aos Estados Unidos, após o então presidente Donald Trump impor tarifas sobre produtos brasileiros.