Os universitários estão mudando a forma de sair, fazer amizades e aproveitar o tempo livre. Em vez de concentrar a vida social em baladas e encontros fora de casa, muitos jovens passaram a valorizar ambientes mais próximos da rotina, onde podem conviver com amigos, estudar e participar de atividades sem precisar se deslocar.
Um levantamento da Uliving, empresa que atua no segmento de student housing, mostra essa mudança entre os moradores de suas residências estudantis: 62% afirmam concentrar o lazer e o círculo mais próximo de amizades dentro da própria moradia. O índice supera o de estudantes que apontam colegas da faculdade ou do trabalho como suas principais conexões sociais. O comportamento acompanha uma transformação mais ampla entre jovens da geração Z. Pesquisa do Datafolha realizada em 12 capitais brasileiras indica que mais da metade dos jovens não frequenta baladas ou vai a esses locais menos de uma vez por ano.
Espaços fitness viraram prioridade da geração Z na compra do imóvel
Por que os jovens estão saindo menos?
A mudança nos hábitos de socialização ocorre em meio a diferentes preocupações e prioridades. Questões relacionadas à saúde mental, excesso de tempo de tela, redução do consumo de álcool e segurança urbana aparecem entre os fatores que influenciam a maneira como os universitários escolhem se relacionar. Isso não significa que os jovens tenham deixado de valorizar a convivência. O que parece estar mudando é onde e como esses encontros acontecem.
Segundo Ewerton Camarano, CEO da Uliving, os estudantes procuram cada vez mais ambientes que estejam integrados à própria rotina. “Existe uma mudança clara na forma como os jovens se relacionam. A socialização continua sendo importante, mas acontece cada vez mais em ambientes conectados à rotina, onde há sensação de pertencimento, praticidade e segurança”.
Moradia estudantil vira ponto de encontro
Nesse cenário, as residências estudantis passam a desempenhar uma função que vai além de oferecer um lugar para morar durante a graduação. Áreas compartilhadas como cozinhas, salas de estudo, espaços de convivência e coworkings acabam se transformando em locais onde os estudantes interagem naturalmente ao longo do dia.
Além dos eventos organizados pelas próprias moradias, como atividades de integração e ações de bem-estar, boa parte das relações surge de situações corriqueiras. “Muitas amizades começam em situações simples do cotidiano: estudantes que cozinham juntos, dividem momentos de estudo ou compartilham experiências da vida universitária. Esse convívio frequente acaba fortalecendo vínculos de forma muito natural”, explica Camarano.
Mudança também afeta a escolha de onde morar
Os novos hábitos podem influenciar até mesmo a decisão de jovens que precisam deixar a casa dos pais para estudar. Além de fatores tradicionais, como preço e localização, estruturas que favorecem a convivência, a criação de comunidade e a qualidade de vida ganham importância na escolha da moradia.
A própria expansão das residências estudantis acompanha esse movimento. A Uliving afirma ter capacidade para mais de 2,2 mil estudantes em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Campinas e Santos. A empresa também ampliou investimentos em áreas comuns e iniciativas de integração entre moradores. Em janeiro deste ano, inaugurou uma área de Customer Experience com o objetivo de compreender melhor as motivações, o estilo de vida, o engajamento e os principais momentos da jornada dos jovens.
Para o setor de student housing, a mudança representa mais do que uma alteração nos programas de fim de semana. As moradias estudantis passam a funcionar como espaços de convivência, nos quais morar, estudar, trabalhar e socializar acontecem no mesmo ambiente. Para uma geração que demonstra novas preocupações com bem-estar, segurança e consumo de álcool, o encontro dentro de casa pode estar ganhando espaço justamente por estar mais integrado à vida cotidiana.