O ritmo acelerado da vida, a pressão por produtividade, as dificuldades financeiras e o excesso de estímulos podem pesar sobre a saúde mental. No Brasil, o cenário chama atenção: um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) citado no material aponta que 9,3% da população brasileira apresenta transtorno de ansiedade, o equivalente a mais de 18 milhões de pessoas. A depressão também atinge milhões de brasileiros, com estimativa de 11,5 milhões de pessoas, ou 5,8% da população.
Para Ana Paula Nardi, profissional da área de psicologia no AmorSaúde, as mudanças na sociedade ajudam a explicar parte desse cenário, embora os transtornos tenham causas diversas. “Vivemos em uma sociedade marcada por excesso de estímulos, pressão por produtividade, insegurança financeira, comparações nas redes sociais e menos tempo para conexões reais. Além disso, hoje existe mais informação e menos estigma, o que também faz com que mais pessoas procurem diagnóstico e tratamento”, afirma.
Como controlar ansiedade
A especialista ressalta que cuidar da saúde mental não precisa se limitar aos momentos em que surge um problema. Pequenas mudanças na rotina podem contribuir para o bem-estar, especialmente quando combinadas a uma rede de apoio e, quando necessário, ao acompanhamento profissional. “A saúde mental precisa ser cuidada todos os dias. E, se o sofrimento estiver pesado demais, você não precisa enfrentar isso sozinho. Pedir ajuda é um gesto de coragem e pode salvar vidas”, diz.
10 hábitos que podem ajudar no dia a dia
- 1. Durma de 7 a 9 horas
O sono adequado está entre os principais cuidados com a rotina. Segundo Ana Paula, dormir bem ajuda na regulação das emoções e na redução do estresse. A privação de sono pode contribuir para irritabilidade e ansiedade e tornar mais difícil lidar com situações que exigem equilíbrio emocional.
- 2. Pratique atividade física regularmente
Exercícios físicos podem contribuir para a regulação do humor e para a redução do estresse. A prática também pode favorecer a interação social, principalmente quando envolve atividades coletivas, ajudando a combater o isolamento.
- 3. Tenha uma alimentação equilibrada
Uma alimentação adequada fornece ao organismo nutrientes necessários para seu funcionamento. Para a especialista, manter uma dieta equilibrada também pode contribuir para os níveis de energia e para o bem-estar, embora a alimentação não substitua o tratamento de transtornos de saúde mental.
- 4. Mantenha contato com amigos e familiares
A convivência com pessoas próximas pode funcionar como uma importante rede de apoio. Segundo Ana Paula, sentimentos de solidão e isolamento podem agravar quadros de ansiedade e depressão, enquanto vínculos sociais ajudam a oferecer acolhimento nos períodos mais difíceis.
- 5. Aproveite a luz natural
Reservar alguns minutos do dia para ficar ao ar livre e ter contato com a luz natural pode ajudar na regulação do relógio biológico e do ciclo de sono e vigília. A especialista também cita a relação da exposição solar com a produção de vitamina D, mas o cuidado deve ser feito de maneira adequada para evitar danos causados pelo excesso de exposição.
- 6. Reduza o excesso de telas e redes sociais
Diminuir o tempo dedicado às redes sociais pode ajudar a reduzir a comparação com outras pessoas e a sobrecarga de informações. Ana Paula recomenda atenção especial ao uso de telas antes de dormir, já que preservar uma rotina de sono adequada também faz parte dos cuidados com a saúde mental.
- 7. Faça pausas durante o dia
Descanso não precisa ser encarado como perda de produtividade. Momentos de pausa permitem interromper o ciclo de atividades e reservar espaço para recuperação física e mental. Lazer e descanso também podem ajudar a reduzir o estresse acumulado ao longo da rotina.
- 8. Experimente respiração consciente ou mindfulness
Em situações de estresse, exercícios de respiração consciente podem ajudar a controlar alguns sintomas físicos associados à ansiedade. A prática também pode favorecer uma maior percepção das próprias emoções e ajudar a evitar respostas automáticas diante de situações difíceis.
- 9. Cultive hobbies e atividades prazerosas
Ler, cozinhar, pintar, ouvir música, praticar um esporte ou dedicar tempo a qualquer atividade que desperte interesse pode proporcionar momentos de satisfação e ajudar a aliviar o estresse. Quando esses hobbies são realizados na companhia de outras pessoas, também podem contribuir para ampliar os vínculos sociais.
- 10. Fale sobre o que está sentindo
Guardar tristeza, ansiedade, raiva ou frustração pode tornar mais difícil compreender o que está acontecendo. Conversar com pessoas de confiança pode proporcionar acolhimento e ajudar a identificar situações que estão causando sofrimento. Quando necessário, essa conversa deve ser complementada pela busca de um profissional de saúde mental.
Quando é hora de procurar ajuda profissional?
Não é preciso esperar que o sofrimento se torne insuportável para buscar acompanhamento psicológico. Para Ana Paula, a procura por um profissional é indicada quando as dificuldades emocionais começam a interferir na rotina, nos relacionamentos, nos estudos ou no trabalho.
Entre os sinais que merecem atenção estão tristeza persistente, ansiedade intensa, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono ou no apetite, irritabilidade constante e isolamento social. Também são importantes mudanças que dificultem trabalhar ou estudar e sentimentos persistentes de desesperança.
Pensamentos relacionados à morte exigem atenção especial e não devem ser ignorados. Nesses casos, é importante buscar ajuda profissional e apoio imediato de pessoas de confiança ou de serviços de emergência, conforme a gravidade da situação. “Procurar um psicólogo não é sinal de fraqueza, é um ato de cuidado e prevenção”, afirma Ana Paula. Segundo a profissional, o acompanhamento especializado, associado ao apoio de familiares e amigos, pode ajudar pessoas que enfrentam problemas psicológicos a recuperar o bem-estar e a qualidade de vida.