Enquanto muita gente na Bahia estará com a boca cheia de caruru para celebrar São Cosme e Damião, os suíços estarão diante das urnas para decidir o que pode chegar aos seus pratos no futuro. No dia 27 de setembro, a população da Suíça votará uma iniciativa que propõe mudanças na forma como o país produz e consome alimentos — incluindo mais produção nacional, menos desperdício e uma redução significativa no consumo de carne.
A chamada 'Iniciativa pela Segurança Alimentar – por meio do aumento da produção doméstica sustentável, mais alimentos de origem vegetal e água potável limpa' pretende elevar para 70% a parcela dos alimentos consumidos no país que também é produzida em território suíço. Para alcançar esse objetivo, a proposta prevê mais áreas agrícolas destinadas ao cultivo de alimentos para as pessoas e menos produção voltada à alimentação de animais.
A medida quer tornar a Suíça menos dependente de outros países para se alimentar.
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O debate parte de uma questão central: o que os suíços comem hoje e o que precisaria mudar para aumentar a autossuficiência alimentar. Atualmente 42% dos alimentos consumidos na Suíça são produzidos no próprio país quando a conta inclui também a produção de ração animal. O governo suíço pretende elevar esse índice para 47% até 2033. Os dados foram reunidos pelo portal suíço watson a partir de estudo da Agroscope, centro federal suíço de pesquisa em agricultura, alimentação e meio ambiente.
A mudança proposta passa principalmente pelo uso da terra. Cerca de 60% da área agrícola suíça é utilizada atualmente para a produção de ração. Ao mesmo tempo, pouco mais de um quarto das áreas agrícolas é formado por terras cultiváveis abertas. Pastagens e campos naturais representam 58% da área, muitas vezes em regiões montanhosas ou com solos que dificultam sua transformação em áreas de cultivo.
A proposta também mexe diretamente com o prato dos suíços. Um estudo da Agroscope indica que, em um cenário baseado nas recomendações alimentares adotadas pelo governo em 2024, seria possível chegar perto da meta de 70% de autossuficiência Ou seja, que pelo menos 70% dos alimentos consumidos na Suíça sejam produzidos no próprio país.
Hoje, a agricultura suíça atende a pouco menos da metade das necessidades alimentares nacionais; o restante é importado.
O desperdício é outro ponto considerado importante. Em média, cada pessoa na Suíça joga fora 80 quilos de comida por ano. Reduzir essa perda aumentaria a quantidade de alimentos efetivamente disponível sem necessariamente ampliar a produção agrícola.
A discussão também envolve a quantidade de alimentos que hoje é destinada aos animais. Segundo os dados apresentados pela watson, 17% da ração utilizada na Suíça é importada. No total, são destinados à alimentação animal 35 trilhões de quilocalorias, enquanto a produção de alimentos resultante dessa cadeia representa cerca de 3 trilhões de quilocalorias.
Assim, a proposta em votação combina mudanças na agricultura com uma transformação dos hábitos alimentares: mais cultivo de alimentos diretamente para as pessoas, menor consumo de carne e redução do desperdício. O objetivo é fazer com que uma parcela maior do que chega ao prato dos suíços seja produzida dentro do próprio país.