Uma febre acompanhada de mal-estar e dor no corpo pode parecer apenas uma virose. No entanto, em alguns casos, esses sintomas podem ser o início de uma doença grave, de rápida evolução e potencialmente fatal, principalmente para crianças: a meningite meningocócica.¹⁻³
De acordo com informações do Ministério da Saúde, a meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas.³
Quando esse processo inflamatório é provocado pela bactéria Neisseria meningitidis (meningococo), a doença é classificada como meningite meningocócica. Os sintomas podem variar conforme o agente causador, mas alguns sinais são frequentes, como febre, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz. Em bebês e crianças pequenas, os sinais podem incluir irritabilidade, choro persistente, recusa alimentar, vômitos e moleira estufada ou inchada.¹⁻³
Existem alguns sinais que podem fortalecer a suspeita dessa doença, como as petéquias (que são manchas marrom-arroxeadas provenientes de pequenos sangramentos dos vasos da pele), e a rigidez do pescoço e da nuca (que pode não estar presente, sobretudo em crianças com até 2 anos).¹⁻³
"A faixa etária que a gente mais se preocupa é abaixo de dois anos. Essa faixa etária é aquela onde o sistema imunológico da criança está em formação. Quando o bebê nasce, ele não tem o sistema imunológico totalmente formado. Ele vai adquirindo essas habilidades de proteção ao longo dos meses",¹¹ explicou o pediatra Marcos Reis Gonçalves (CRM 6385 AL), em entrevista ao CORREIO.
Outra grande preocupação é a rapidez com que a doença pode evoluir. Em poucas horas, o paciente já pode estar em estado grave. Isso acontece porque a bactéria pode se espalhar rapidamente pelo organismo, atingindo não só as meninges, mas também a corrente sanguínea. Por isso, reconhecer os sintomas e procurar atendimento médico imediatamente faz toda a diferença.¹⁻³
A transmissão também é um desafio: assim como acontece com outras doenças respiratórias, o meningococo se espalha facilmente de pessoa para pessoa por gotículas e secreções respiratórias, em situações comuns como tosses, espirros e beijos.¹,²
Sorogrupos da doença
Além da rápida evolução, outro aspecto importante é entender que não existe apenas um tipo de meningococo. O termo "sorogrupo" corresponde à classificação da bactéria Neisseria meningitidis, responsável pela doença meningocócica. Ao todo, existem 13 sorogrupos, sendo que os sorogrupos associados à doença são A, B, C, W, X e Y. ⁴,⁵
Importante destacar que o sorogrupo B tem sido um dos principais responsáveis pelos casos de doença meningocócica no Brasil.6 A proteção contra os diferentes sorogrupos pode ser conferida por vacinas específicas, disponíveis nos sistemas público e privado de saúde do país. ⁷,⁸
Importância da vacinação
O diagnóstico precoce e o esquema vacinal completo são indispensáveis para a prevenção dos riscos causados pela doença. No Programa Nacional de Imunização (PNI), a vacina meningocócica C (conjugada) é indicada com duas doses, aos 3 e 5 meses de vida.⁷⁻⁹
Já a vacina meningocócica ACWY (conjugada) está disponível no Calendário de Vacinação do PNI como reforço aos 12 meses de idade e como reforço ou dose única para adolescentes de 11 a 14 anos, conforme situação vacinal encontrada.
Crianças que não foram vacinadas nas idades indicadas podem ser até os 4 anos, 11 meses e 29 dias, conforme o Calendário Nacional de Vacinação e a Instrução Normativa correspondente.⁷⁻⁹
A vacina contra o sorogrupo B está disponível na rede privada de clínicas de vacinação.⁷,⁸
Aliada à vacinação, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco de transmissão da meningite meningocócica. Hábitos simples como lavar as mãos com frequência, cobrir a boca ao tossir ou espirrar, não compartilhar objetos de uso pessoal, manter ambientes ventilados e evitar aglomerações sempre que possível, são eficazes.¹⁰
NP-BR-AVU-BRF-260012 – Agosto/2026
Material dirigido ao público geral. Por favor, consulte o seu médico.
Referências
1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Família SBIm. Doença meningocócica. Disponível em: https://familia.sbim.org.br/doencas/doenca-meningococica-dm. Acesso em: 20 jul. 2026.
2. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Newsroom. Fact Sheets. Details. Meningitis. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/meningitis.
3. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Saúde de A a Z. Meningite. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/meningite. Acesso em: 20 jul. 2026.
4. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Vigilância das pneumonias e meningites bacterianas em crianças menores de 5 anos: guia prático. 2. ed. Brasília, DF: OPAS, 2020.
5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Perguntas e respostas sobre vacinas meningocócicas. Acesso em: 16 jul. 2026.
6. BRASIL. Ministério da Saúde. Centro Nacional de Inteligência Epidemiológica e Vigilância Genômica. Painel Meningite. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/cnie/painel-meningite. Acesso em: 16 jul. 2026.
7. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de vacinação SBIm Criança 2026–2027. Disponível em: https://sbim.org.br/images/crianca-Calend-SBIm-2026-27-260619.pdf_2026-06-19.pdf. Acesso em: 22 jul. 2026.
8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Calendário de vacinação da SBP 2026/2027. Disponível em: https://www.sbp.com.br/acervo_download=1&post_id=63953&nonce=47d4981bdb&sbp_nonce_refresh=1. Acesso em: 11 ago. 2026;
9. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Coordenação-Geral de Incorporação Científica e Imunização. Instrução normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026. Brasília, DF, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/publicacoes/instrucao-normativa-que-instrui-o-calendario-nacional-de-vacinacao-2026.pdf. Acesso em: 18 ago. 2026.
10. FIOCRUZ. Portal Fiocruz: Meningites. Disponível em: https://fiocruz.br/taxonomia-geral-05- doencas/meningites
11. UNICEF. Why delayed vaccination schedules can be harmful to children. UNICEF Europe and Central Asia, 7 out. 2024. Disponível em: https://www.unicef.org/ eca/stories/why-delayed-vaccination-schedules-can-be-harmful-children. Acesso em: 17 ago. 2026.
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