Adriano Imperador relembrou o momento em que abriu mão de um contrato milionário na Europa por não se sentir mais feliz como jogador de futebol. Em série documental que chegou ao catálogo da Netflix, o ex-atacante da Seleção Brasileira conta como decidiu permanecer no Rio de Janeiro e não retornar à Inter de Milão, em abril de 2009.
“Eu ganhava 7 milhões de euros por ano. E daí? Cadê minha felicidade, minha honra como jogador? Não tinha mais”, afirma Adriano na produção.
Naquele período, o atacante tinha 27 anos e ainda mantinha contrato com a Inter até junho de 2010. Apesar do salário milionário e da carreira construída em um dos maiores clubes da Europa, Adriano já não encontrava satisfação no futebol e sentia que não conseguia corresponder dentro de campo.
Adriano Imperador desistiu de contrato milionário para voltar ao Brasil
A decisão de permanecer no Brasil foi tomada depois de o jogador defender a Seleção nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010. Após os compromissos da equipe nacional contra Equador e Peru, no fim de março e no início de abril de 2009, ele não embarcou de volta para a Itália nem se reapresentou à Inter.
Adriano passou alguns dias na Vila Cruzeiro, comunidade da Zona Norte do Rio de Janeiro onde nasceu e cresceu. Sem contato com o clube e longe da exposição pública, o atacante teve o paradeiro cercado por rumores até confirmar que estava com familiares e amigos.
Um amigo ouvido no documentário afirma que o jogador precisava daquele retorno às origens e queria permanecer em um ambiente no qual se sentia livre.
“Ele queria esse momento para ele, ficar onde se sentia bem, andando descalço, sem camisa, e foi embora”, relata.
Adriano também recorda a conversa que teve com a mãe, Rosilda Ribeiro, quando voltou para casa. Diante da pergunta sobre um possível retorno à Itália, o jogador respondeu que não tinha mais condições de continuar.
“Voltei para casa e minha mãe falou: ‘E aí, cara, não vai voltar mesmo, não?’. Falei: ‘Mãe, não minto para a senhora. Não dá mais para mim’”, conta.
Adriano anunciou pausa por tempo indeterminado
Em 9 de abril de 2009, Adriano concedeu uma entrevista coletiva no Rio de Janeiro e anunciou que se afastaria do futebol por tempo indeterminado. O atacante afirmou que havia perdido a alegria de jogar e explicou que permaneceria no Brasil para reorganizar a vida.
Na ocasião, Adriano negou que estivesse encerrando definitivamente a carreira e também declarou que a decisão não havia sido provocada por conflitos com a Inter de Milão. Segundo o jogador, o problema era a infelicidade que sentia enquanto vivia na Itália.
O atacante disse ainda que estava disposto a abrir mão do dinheiro para recuperar o bem-estar. Embora fosse tratado como um dos principais jogadores brasileiros de sua geração, ele já atravessava temporadas marcadas por oscilações dentro de campo e dificuldades na vida pessoal.
Em 24 de abril daquele ano, a Inter anunciou oficialmente a rescisão do contrato em comum acordo. O encerramento do vínculo teve efeito retroativo a 1º de abril de 2009. O compromisso entre o brasileiro e o clube italiano terminaria somente em junho de 2010.
A saída encerrou uma relação iniciada em 2001, quando Adriano deixou o Flamengo ainda jovem e foi negociado com a equipe de Milão. Depois de empréstimos a Fiorentina e Parma, o atacante retornou à Inter em 2004 e viveu o período mais marcante da carreira na Europa.
Com força física, velocidade e um chute potente de esquerda, Adriano ganhou o apelido de “Imperador” na Itália. Pelo clube, conquistou títulos nacionais e se consolidou como um dos atacantes mais temidos do futebol mundial. Também chegou a figurar entre os jogadores mais bem colocados nas eleições da Bola de Ouro e de melhor do mundo da Fifa.
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Morte do pai afetou trajetória do atacante
O auge esportivo coincidiu com uma das maiores perdas pessoais de Adriano. Em 2004, pouco depois de o jogador conquistar a Copa América com a Seleção Brasileira, o pai dele, Almir Leite Ribeiro, morreu após sofrer um ataque cardíaco.
Adriano já relatou diversas vezes que a morte do pai mudou sua vida e afetou profundamente seu estado emocional. O atacante passou a enfrentar dificuldades para manter a rotina de treinamentos e jogos e encontrou problemas para se adaptar novamente à vida na Itália.
A Inter ainda buscou alternativas para ajudá-lo. Em 2007, o brasileiro foi liberado para realizar um período de recuperação no Brasil e, posteriormente, acabou emprestado ao São Paulo. Ele voltou a apresentar bom desempenho no clube paulista e retornou à equipe italiana em 2008, já sob o comando do técnico José Mourinho.
Adriano chegou a marcar gols importantes na temporada 2008/2009, mas não conseguiu recuperar de maneira constante o rendimento dos melhores anos. Meses depois, após retornar ao Brasil para servir à Seleção, tomou a decisão de não voltar para Milão.
Retorno ao Flamengo terminou com título brasileiro
A interrupção da carreira durou poucas semanas. Em 6 de maio de 2009, menos de um mês depois de anunciar o afastamento, Adriano acertou o retorno ao Flamengo, clube em que havia sido revelado.
O atacante estreou no fim daquele mês e marcou logo na primeira partida, contra o Athletico Paranaense, pelo Campeonato Brasileiro. Ao longo da competição, tornou-se uma das principais figuras da campanha rubro-negra.
Adriano terminou o Brasileirão com 19 gols, empatado na artilharia, e ajudou o Flamengo a conquistar o título nacional. A recuperação esportiva também levou o atacante de volta à Seleção Brasileira. Em 2010, porém, ele não foi convocado pelo técnico Dunga para disputar a Copa do Mundo da África do Sul.
Depois da passagem pelo Flamengo, Adriano voltou ao futebol italiano para defender a Roma. O atacante ainda jogou por Corinthians e Athletico Paranaense, além de ter acertado outros retornos ao Flamengo, mas não conseguiu estabelecer uma sequência semelhante àquela vivida no início da carreira.
Documentário chegou agora à Netflix, mas foi lançado em 2022
Embora seja novidade no catálogo da Netflix, “Adriano Imperador” não é uma produção inédita. A série documental foi lançada originalmente em julho de 2022 pelo Paramount+ e posteriormente passou a ser disponibilizada em outras plataformas.
A obra é dividida em três episódios, com duração de 45, 41 e 42 minutos. Segundo a descrição da Netflix, a produção acompanha a trajetória de Adriano desde a infância e a ascensão no Flamengo até o estrelato na Inter de Milão e o inesperado retorno para casa.
O primeiro episódio aborda a paixão da família pelo futebol, o início da carreira e a transferência para a Itália, além da notícia da morte do pai. O segundo acompanha o auge, as dificuldades pessoais e a decisão de abandonar o contrato europeu. O terceiro mostra o retorno às origens, a retomada da carreira no Brasil e as polêmicas que acompanharam o jogador.
Dirigida por Susanna Lira e produzida pela Bananeira Filmes, a série utiliza Adriano como principal narrador da própria história. O documentário também apresenta imagens raras do arquivo pessoal da família e depoimentos de parentes, amigos e pessoas que acompanharam a trajetória do atacante.
Entre os participantes estão Ronaldo Fenômeno, Petkovic, Aloísio Chulapa, Léo Moura e Javier Zanetti, além de Massimo Moratti, ex-presidente da Inter de Milão, e Rosilda Ribeiro, mãe de Adriano.
A produção aborda temas como fama, dinheiro, conflitos pessoais, exposição pública, ligação com a Vila Cruzeiro e as consequências emocionais da morte do pai. Ao revisitar a decisão de deixar a Europa no auge, Adriano contrapõe a imagem do jogador milionário e bem-sucedido à infelicidade que enfrentava longe de casa.
“Adriano Imperador” está disponível na Netflix com classificação indicativa de 12 anos.