Um caminhão branco deixou um centro de distribuição do Lidl carregado de mercadorias. Na parte dianteira, porém, não havia cabine, volante, banco ou motorista. Apenas a estrutura fechada do veículo e os sensores responsáveis por interpretar a estrada.
A cena passou a fazer parte da rotina logística em Edermünde, na Alemanha. Desenvolvido pela empresa sueca Einride, o caminhão elétrico percorre uma rota entre o centro de distribuição e uma loja da rede, sem motorista ou operador de segurança a bordo.
Ônibus sem motorista elétrico
O trajeto é limitado, mas representa uma mudança importante para o transporte de cargas. Depois de anos restritos a pistas fechadas e operações experimentais, veículos autônomos começam a ocupar estradas públicas e assumir tarefas diárias no abastecimento do varejo.
Licença inédita
A operação recebeu autorização do Escritório Federal de Transporte Motorizado da Alemanha, o KBA. Segundo as empresas e informações confirmadas pela Reuters, é a primeira licença concedida no país para um caminhão sem cabine atuar regularmente em uma via pública.
Antes da liberação, o sistema passou por uma série de avaliações de segurança. Os testes analisaram a capacidade do veículo de reconhecer obstáculos, controlar a velocidade, manter a trajetória e responder às condições encontradas ao longo do percurso.
O caminhão foi enquadrado no nível 4 de automação. Nessa categoria, o sistema assume todas as tarefas de direção, desde que permaneça dentro da área e das condições para as quais foi projetado.
Autonomia sob limites
A classificação não permite que o veículo siga por qualquer estrada ou enfrente todo tipo de situação. A operação ocorre dentro de um espaço delimitado, com rota, ambiente e protocolos previamente avaliados pelas autoridades alemãs.
Dentro desses limites, o caminhão consegue circular sem a intervenção de uma pessoa. Fora deles, o sistema não deve iniciar ou continuar a viagem, uma diferença importante em relação à ideia de um veículo capaz de dirigir sozinho em qualquer lugar.
O projeto também não teve todos os detalhes divulgados. As empresas não informaram a distância percorrida, o volume transportado diariamente, a autonomia da bateria nem os horários em que o caminhão entra na estrada.
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Sem espaço para cabine
A retirada da cabine muda a aparência e a própria organização do veículo. Como não precisa reservar espaço para um condutor, o modelo concentra sua estrutura no compartimento de carga e nos equipamentos que monitoram o ambiente.
Câmeras e outros sensores assumem o papel dos olhos do motorista. As informações recolhidas ao longo do caminho são processadas pelo sistema, que decide quando acelerar, reduzir a velocidade, frear ou ajustar a direção.
Ainda assim, a estreia não elimina de imediato o trabalho humano na logística. Profissionais continuam necessários no carregamento, na manutenção, na supervisão das operações e no controle dos centros de distribuição.
Próxima etapa
Inicialmente, o caminhão percorre um trajeto direto entre dois pontos. Einride e Lidl pretendem ampliar a rota gradualmente até formar um circuito com diferentes paradas, modelo conhecido no setor como milk run.
Outras operações dentro do Grupo Schwarz, controlador do Lidl, também estão em estudo. A intenção é avaliar se a tecnologia pode ajudar a manter o fluxo de mercadorias diante da falta de motoristas profissionais enfrentada por empresas europeias.
Por enquanto, a experiência permanece restrita a uma rota autorizada. O que acontecer nesse pequeno trecho de estrada ajudará a definir se caminhões sem cabine poderão avançar dos projetos controlados para uma presença constante nas redes de abastecimento.