O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decretou a falência do Grupo Ricoy, conglomerado que reúne 33 empresas do setor atacadista e de supermercados no estado. A decisão foi assinada em 28 de agosto pela juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, e ainda cabe recurso.
Segundo informação do portal G1, o grupo declarou R$ 518,9 milhões em dívidas com 5.027 credores e outros cerca de R$ 172 milhões em débitos com a União e as prefeituras de Jundiaí, São Paulo e Carapicuíba. Juntos, os valores se aproximam de R$ 700 milhões.
A recuperação judicial foi transformada em falência após a rejeição do plano apresentado pelas empresas. Uma proposta alternativa dos credores também não alcançou o quórum necessário para votação.
“O plano de recuperação judicial foi submetido à Assembleia Geral de Credores em 14 de julho de 2025, e foi rejeitado. O plano alternativo dos credores também não atingiu o quórum de 35% para votação. Assim, convolo a recuperação judicial em falência”, decidiu a magistrada.
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Com a falência, a Justiça determinou o bloqueio de contas e bens ligados aos CNPJs do grupo. A decisão inclui ainda a busca por veículos, imóveis e investimentos, a arrecadação do patrimônio e a inabilitação das empresas. Ex-funcionários e outros credores deverão encaminhar seus pedidos à administradora judicial.
Uma fiscalização feita pela administradora judicial identificou o fechamento inesperado de ao menos 19 lojas. O relatório apontou ainda desvio de faturamento das unidades, o que teria dificultado a penhora de valores, e o uso de duas outras empresas para receber pagamentos feitos pelos consumidores em máquinas de cartão.
Prefeitura cobra impostos não pagos
Em Jundiaí, a prefeitura entrou na Justiça para cobrar R$ 74 mil em impostos não pagos. Já o Sindicato dos Empregados no Comércio de Jundiaí e Região denunciou possíveis irregularidades nas filiais, incluindo a alienação fraudulenta de equipamentos e mercadorias para ocultar patrimônio.
Na petição inicial, o Grupo Ricoy atribuiu a crise à concorrência dos atacarejos, a incertezas fiscais surgidas após a incorporação de outro grupo em 2012 e ao aumento da taxa Selic a partir de 2022.
Sob a nova administração, documentos financeiros como demonstrativos, extratos, livros contábeis e folhas de pagamento deixaram de ser enviados à Justiça. Cícero tentou suspender o processo ao alegar que os antigos sócios esconderam o tamanho da dívida, mas o pedido foi negado.
Em Itapetininga, o grupo era dono da rede Pão de Mel, adquirida em 2009. A última das três lojas da marca na cidade fechou em maio. No auge, o conglomerado chegou a manter 96 unidades em 76 municípios paulistas e mais de 5 mil funcionários.