No horizonte, o Brasil desponta com grande potencial para a nova economia – com um ambiente favorável para a infraestrutura digital, geração de energia renovável, economia verde, um agro pujante e a oferta de minerais críticos para a transição energética. A realidade mostra que entraves na área de infraestrutura de transportes, no ambiente de negócios, tributação e insegurança jurídica freiam o aproveitamento do potencial do país.
Este ano, o Brasil caiu sete colocações no Ranking Mundial de Competitividade 2026, elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral e chegou à 65ª colocação numa lista com 70 economias – o pior patamar nos últimos anos. Segundo o levantamento, entre os fatores que prejudicam o país estão o custo de capital, educação precária e problemas financeiros.
Como competitividade, as entidades avaliadoras consideraram a capacidade dos países de criar e sustentar um ambiente que favoreça o desempenho das empresas, sejam elas privadas ou estatais. Nessa linha, a competitividade de um país reflete o conjunto de condições institucionais, econômicas e estruturais que influenciam a produtividade e a eficiência do setor produtivo.
Como reflexo deste cenário, a indústria brasileira de transformação voltou a perder posições no cenário internacional pelo segundo ano consecutivo. Em um ranking que reúne 90 países, o Brasil ficou na 69ª colocação, permanecendo entre o terço das economias com pior desempenho industrial, de acordo com dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), com base em números da Unido, braço da ONU para desenvolvimento industrial.
A deterioração fica mais evidente na comparação com anos anteriores. No primeiro trimestre de 2025, o Brasil ocupava a 47ª colocação. Um ano depois, caiu 22 posições. Em relação ao primeiro trimestre de 2024, quando aparecia em 33º lugar após registrar crescimento de 1,7%, a perda acumulada chega a 36 posições.
Agenda Bahia
Os números mostram que a indústria brasileira vive um momento decisivo. Para competir em um mercado cada vez mais global, tecnológico e exigente, o setor precisa avançar em escala, eficiência, automação, infraestrutura, energia competitiva, logística inteligente, exportação, qualificação da mão de obra e digitalização dos processos produtivos. Este desafio será discutido na 17ª edição do Agenda Bahia. O evento que, em 2026, tem como tema “Produtividade em novos cenários”, acontecerá no dia 12 de agosto, no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), no Stiep, em Salvador, das 9h30 às 13h30.
O economista e executivo Rafael Lucchesi será um dos palestrantes. Lucchesi diz que o debate econômico mundial recolocou a política industrial no centro das estratégias das principais economias. “O mundo entrou numa corrida de reindustrialização verde que vai definir quem produz e quem apenas fornece matéria-prima nas próximas décadas”, pontuou. Para ele, o Brasil precisa voltar a ter a indústria como motor do desenvolvimento sustentável e transformar seus ativos em um projeto de descarbonização produtiva.
Entre os principais desafios para aumentar a competitividade da indústria brasileira, o economista ressalta fatores que estão fora do ambiente fabril, como tributação e coordenação entre a política industrial, monetária e fiscal. A inovação e a tecnologia também terão espaço na discussão. Segundo ele, investir em pesquisa, desenvolvimento e manufatura avançada é essencial para que o Brasil agregue valor aos seus recursos naturais e amplie sua competitividade. “Inovação, para o Brasil, não é agenda de laboratório. É a condição para agregar valor à nossa energia e ao nosso subsolo”, disse.
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“Não é possível falar em uma indústria forte sem discutir infraestrutura, segurança jurídica, inovação, produtividade e integração entre os diferentes setores da economia. A indústria não cresce isoladamente. Ela depende de logística eficiente, de uma cadeia produtiva integrada e de um ambiente que estimule o investimento”, afirma a presidente da Associação Comercial da Bahia, Isabela Suarez, que vai integrar o eixo “A nova indústria brasileira e os desafios da competitividade”.
De acordo com Isabela, entre os maiores desafios para a indústria brasileira se tornar mais competitiva nos próximos anos estão as condições para que as empresas possam planejar, investir e inovar com uma visão de longo prazo. “A indústria brasileira tem capacidade de incorporar novas tecnologias e responder às mudanças do mercado, mas ainda perde competitividade diante do Custo Brasil, marcado pela burocracia, insegurança jurídica, alta carga tributária, gargalos de infraestrutura e logística, além do alto custo do capital”, pontuou.
César Souza, co-fundador e CEO do Grupo Empreenda, empresa que presta consultoria nas áreas de estratégia, marketing e recursos humanos, participará da conversa sobre a combinação entre produtividade humana, gestão estratégica e transformação digital. “Sobreviver em cenários adversos e incertos como esses exige muito mais do que investimento e tecnologia. Exige um ativo intangível que não aparece nos balanços das empresas: líderes, com L maiúsculo, cultura organizacional, equipes preparadas para lidar com mudanças rápidas e intensas, além de atitudes como resiliência, determinação, coragem, flexibilidade e foco em resultados”, analisa.
Davi Roberto Ohlweiler, gerente de Manutenção e Confiabilidade da Braskem, no Polo Industrial de Camaçari, que participará da discussão no eixo “A nova indústria brasileira e os desafios da competitividade”, destaca a importância da inovação e tecnologia para as empresas. “A inovação e a tecnologia são pilares fundamentais para fortalecer a indústria nacional e garantir sua competitividade em um cenário global cada vez mais desafiador. Portanto, investimentos contínuos em transformação digital, automação, inteligência de dados e desenvolvimento de novos materiais são essenciais para aumentar a produtividade, elevar a eficiência operacional e reduzir custos de forma sustentável”, acredita Davi.
Para ele, a indústria baiana também possui uma vantagem competitiva estrutural, que é seu potencial em energias renováveis, como a eólica e a solar.
Lucas Harb, gerente comercial da Echoenergia, empresa que conta com 74 ativos de geração renovável, participará do terceiro eixo do evento, “Empresas inteligentes: o novo modelo competitivo”. A proposta é debater a capacidade da IA de transformar áreas como atendimento, marketing, vendas, operação, logística, gestão de pessoas, relacionamento com clientes e tomada de decisão. Lucas é formado em publicidade e propaganda e relações públicas na PUC-SP, com MBA em gestão de negócios, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pós-graduação em projetos e inovação pela Escola Conquer.
A próxima edição do Agenda Bahia trará uma série de discussões sobre transformação digital, inteligência artificial, inovação, desenvolvimento industrial e gestão, além de terem a oportunidade de ampliar o networking e trocar experiências com lideranças de diferentes setores.
A 17ª edição do fórum sobre o desenvolvimento da Bahia tem como tema “Produtividade em novos cenários” e será dividido em três eixos temáticos: “A nova indústria brasileira e os desafios da competitividade”; “Produtividade humana e crescimento”; e “Empresas inteligentes: o novo modelo competitivo”. A programação, aberta ao público inscrito, acontecerá das 9h30 às 13h30.
Desde a primeira edição, o Agenda Bahia acompanha as mudanças econômicas, sociais e tecnológicas que influenciam o desenvolvimento do estado. Em 2010, o evento estreou com o tema “Olhando 10 anos à frente”. Nos anos seguintes, promoveu reflexões sobre compromisso e planejamento para o futuro, desenvolvimento da Bahia, sustentabilidade, competitividade, fortalecimento da economia e períodos de transformação.
A partir de 2018, assuntos como humanização, evolução, uso de dados, conectividade e os desafios do presente ganharam espaço na programação. Mais recentemente, o encontro voltou sua atenção para os setores produtivos e para a construção de uma Bahia mais competitiva.
Ao longo de 17 edições, o Agenda Bahia consolidou-se como um espaço de encontro entre empresas, poder público, especialistas, academia e sociedade, sempre atento às questões que interferem no presente e ajudam a projetar o futuro do estado.
O Agenda Bahia é uma realização do jornal Correio, com patrocínio da Acelen, Echoenergia e Unipar, apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador, apoio da Braskem, FIEB, Plano Brasil Saúde, Salvador Bahia Airport, Sebrae e Sotero, e parceria da Claro.