O designer Braian Thomas denunciou nas redes sociais ter sido perseguido e agredido dentro de um shopping em Salvador. Em um vídeo publicado no domingo (13), ele contou que teria sido atacado por um homem após um esbarrão nas escadas do estabelecimento, no dia 5 de setembro.
“Eu fui perseguido e agredido dentro do shopping pelo simples fato de parecer gay. Eu digo parecer gay porque eu não fiz nada além de existir para esse homem achar no direito de me atingir e atentar contra minha própria vida”, afirmou.
Veja versão resumida de denúncia
Segundo Braian, ele foi até o Shopping da Bahia com o notebook para trabalhar remotamente enquanto tomava café no Starbucks, mas nem conseguiu chegar até a cafeteria. A confusão começou depois que um homem esbarrou nele nas escadas.
“Esse simples fato foi suficiente pra desencadear tudo”, disse. De acordo com o designer, o homem teria começado a gritar ofensas e, posteriormente, o seguido até o banheiro.
“Eu tentei não ligar, sabe? Mas fui ao banheiro e quando olhei pra trás ele tava me seguindo, me prensou no banheiro, tentou me atacar”, narrou.
Braian afirmou que chegou a pedir ajuda a um funcionário da limpeza, mas teria sido ignorado. “Corri pra fora do banheiro e falei: ‘Se for para me bater, me bate aqui na frente das câmeras’ e foi isso que ele fez.”
O designer contou que caiu no chão durante a agressão e torceu o pé. Segundo ele, quem conteve o homem não foi um segurança, mas uma pessoa que passava pelo local. “Quando eu estava lá derrubado no chão com o pé torcido quem segurou ele não foi um segurança, foi um cara que tava passando e falou ‘calma irmão’.”
Seguranças protegeram agressor, diz designer
Depois de se levantar, Braian disse que começou a gravar e pediu aos seguranças que o levassem para um local seguro, pois queria registrar a ocorrência. Mas, quando o homem percebeu que estava sendo filmado, passou a acusá-lo de assédio. “Começou a dizer ‘esse viado tá me assediando’ e os seguranças protegeram ele e me levaram pra delegacia.”
Braian também relembrou que, quando tentou conversar com a delegada, teria sido repreendido. "Ela já gritou comigo falando ‘você deveria estar preso’.”
O designer afirmou que contou o que havia acontecido, mas recebeu como resposta que seria necessário buscar orientação jurídica. “Ele falou: ‘é sua palavra contra a dele, vê aí com seu advogado’.”
Veja a denúncia:
Pedido de ajuda
Na legenda da publicação, Braian pediu ajuda para defesa. “Preciso da ajuda de um advogado criminalista da causa LGBT, ou pelo menos de alguém que possa me auxiliar a buscar a Defensoria Pública. Quero justiça pelas violências que sofri, pelo agressor e por esse Shopping da Bahia, onde fui agredido e humilhado por uma equipe despreparada. Compartilhem pra me ajudar.”
No vídeo, ele também afirmou estar sem condições financeiras para contratar um advogado e disse estar com medo de retornar ao estabelecimento. “Eu não tenho nem dinheiro pra pagar advogado, estou sozinho, desprotegido, tenho medo de entrar naquele shopping.”
A reportagem procurou a Polícia Civil e o Shopping da Bahia para obter um posicionamento sobre a denúncia, mas não recebeu retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.