Criado por estudantes de Medicina da Unesulbahia, o projeto de extensão Médicos da Alegria aproxima os acadêmicos de diferentes públicos por meio de atividades lúdicas, educação em saúde e ações de humanização na cidade de Eunápolis e região. A proposta parte de uma ideia simples, mas que ganha novos significados quando colocada em prática: cuidar não se resume a diagnosticar e tratar.
“Cuidar de alguém vai muito além de tratar uma doença”, afirma Sandra Galvani, estudante de Medicina na Unesulbahia e uma das fundadoras do projeto. Segundo ela, a iniciativa busca apresentar aos estudantes realidades que nem sempre podem ser compreendidas dentro de uma sala de aula. “Um paciente não é apenas uma doença ou um prontuário: é alguém que possui uma história, sentimentos, medos, sonhos e necessidades”, pontua.
Médicos da Alegria
A discussão acompanha uma preocupação crescente na formação em saúde. Estudos sobre experiências de aprendizagem junto à comunidade apontam que esse contato pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades como empatia, comunicação e compreensão das necessidades sociais. No Médicos da Alegria, a proposta ganha uma dimensão prática: aproximar os estudantes das pessoas que estarão no centro de sua futura atuação profissional e permitir que eles aprendam, desde a graduação, a construir relações para além do atendimento convencional.
Preparação e extensão
Embora música, dança e brincadeiras estejam entre as atividades, as ações não são improvisadas. Os estudantes participam como extensionistas e recebem orientações sobre o local, o público e as características de cada ambiente antes das visitas. Também são preparados para lidar com diferentes realidades, sempre com atenção à empatia e ao respeito. “Não aceitamos nenhum tipo de preconceito ou julgamento dentro do projeto”, destaca Sandra.
A preparação inclui ainda as Oficinas do Riso, momentos dedicados à, comunicação, interação e ao uso do humor de maneira respeitosa, pensando no acolhimento. Questões de biossegurança também são abordadas. A programação é adaptada de acordo com quem está do outro lado: com idosos, música, dança e atividades que despertem memórias podem abrir espaço para a interação, já com crianças, entram brincadeiras e atividades recreativas. “A ideia é sempre adaptar a ação para que todos possam participar dentro das suas possibilidades”, explica a aluna do curso de Medicina da Unesulbahia.
Para a equipe, esse vínculo com a comunidade é parte do resultado que o projeto pretende alcançar. A expectativa é que cada encontro deixe algo para quem participa: “um sorriso, uma lembrança boa, uma conversa, um sentimento de acolhimento ou simplesmente a sensação de que aquela pessoa foi vista e teve sua presença valorizada”. Ao mesmo tempo, os estudantes também levam algo dessas experiências para sua formação. “Queremos formar médicos que saibam tratar, mas que também saibam olhar, ouvir e acolher”, afirma Sandra.
Ainda em fase de expansão, o Médicos da Alegria busca novas parcerias e pretende chegar a diferentes públicos. Já estão previstas ações em Trancoso e no Hospital de Porto Seguro, além de iniciativas em escolas, CAPS, igrejas e outros espaços da comunidade. Para Sandra, ampliar o projeto significa multiplicar essas oportunidades de encontro e reforçar uma lição que deve acompanhar os estudantes para além da graduação: “A Medicina vai além do cuidado médico; ela também é o cuidado da alma, presença, escuta e humanidade”, finaliza.
A trajetória do Médicos da Alegria também reflete a proposta da Unesulbahia de incentivar os estudantes a assumirem o protagonismo na própria formação. A instituição valoriza iniciativas que aproximam a academia da comunidade e, por meio dos projetos de extensão, estimula os alunos a transformarem interesses e ideias em experiências que contribuam para a sociedade.
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