Receber — e até mesmo dar — um feedback negativo pode ser difícil no ambiente profissional. Para 42,8% dos profissionais entrevistados em um estudo da Conquer, lidar com esse tipo de retorno ainda é um desafio. Entre as principais dificuldades estão os impactos emocionais provocados pela crítica, a necessidade de defender imediatamente o próprio ponto de vista e a tendência de levar a situação para o lado pessoal.
O levantamento ouviu 500 profissionais maiores de 18 anos, de todas as regiões do Brasil, e buscou entender como as emoções influenciam o comportamento e as decisões no ambiente de trabalho. Entre os entrevistados, 16% afirmaram sentir efeitos negativos no emocional mesmo quando tentam não demonstrá-los. Outros 13,8% disseram sentir necessidade de defender imediatamente o próprio ponto de vista, enquanto 3,4% admitem ter o hábito de se ofender e levar a crítica para o lado pessoal.
Quais situações mais afetam o emocional no trabalho?
Os resultados fora do esperado aparecem no topo da lista de situações que mais desafiam o controle emocional, citados por 37,4% dos participantes. Na sequência estão os conflitos, apontados por 33%, e o trabalho sob pressão, mencionado por 30,6%. A tomada de decisões também aparece entre os momentos de maior dificuldade, citada por 19,8% dos profissionais.
A pesquisa mostra ainda que as próprias emoções podem interferir diretamente nas escolhas feitas no trabalho. 24,8% dos entrevistados apontaram a influência do próprio emocional como o principal obstáculo durante a tomada de decisões. Outro fator citado foi a pressão exercida por líderes, colegas ou clientes, apontada por 11,2%.
O que os profissionais aprendem com os líderes?
A experiência com gestores também aparece como uma das formas pelas quais os profissionais desenvolvem estratégias para lidar melhor com as próprias emoções. Segundo o levantamento, 50,2% disseram ter aprendido com seus líderes a prestar mais atenção às emoções antes de tomar uma decisão.
A mesma proporção, 50,2%, afirmou ter aprendido a reconhecer erros e mudar de estratégia. Outros 44,4% destacaram o aprendizado de ouvir opiniões diferentes, enquanto 40,8% aprenderam a tomar decisões com base em dados. Os resultados indicam que a liderança não influencia apenas aspectos técnicos do trabalho, mas também pode contribuir para a maneira como os profissionais lidam com situações de pressão, erros e escolhas importantes.
Neurociência ganha espaço entre profissionais
O interesse pelo funcionamento do cérebro e pelo comportamento também aparece nos hábitos de consumo de conteúdo dos entrevistados. Entre os temas relacionados à neurociência mais consumidos estão inteligência emocional, citada por 36,8%, comportamento humano no ambiente de trabalho, com 31,6%, e tomada de decisões sob pressão, apontada por 26,2%.
De acordo com um levantamento sobre comportamento digital realizado pela própria Conquer, as buscas pelos termos “neurociência e comportamento” cresceram 86% nos últimos 12 meses, enquanto as pesquisas por “curso de neurociência” aumentaram 247% no mesmo período.
Para Juliana Alencar, diretora de marketing da Conquer, compreender a relação entre cérebro e comportamento ajuda a explicar processos que muitas vezes são tratados apenas como questões comportamentais. “Grande parte do que chamamos de comportamento profissional começa, na verdade, em processos cerebrais”. A Conquer afirma que esse conhecimento pode ser aplicado a situações como tomada de decisão, liderança e relacionamento no ambiente corporativo.
Estudo ouviu 500 profissionais
A pesquisa foi realizada nas últimas semanas com 500 profissionais maiores de 18 anos, residentes em diferentes regiões do Brasil e conectados à internet. Os participantes responderam a oito perguntas sobre a relação com as próprias emoções, os desafios enfrentados durante decisões profissionais e o consumo de conteúdos relacionados à neurociência e ao comportamento. O levantamento informa índice de confiabilidade de 95% e margem de erro de 3,3 pontos percentuais.